Tesouros
A tua luz ilumina, aquece, afasta toda a negrura que abraça os Homens.
Fonte saciante de ternura, de vida. Brota paz dos teus lábios, calmaria de cada um dos teus poros.
Paleta de mil cores, corpo de mil sabores, sinfonia reconfortante, estrela cadente de desejos, deixas rasto de amor.
Sorte de quem te tenha pois possui o maior dos tesouros.
Tu
Sabes, és mais que um sonho, és mais que um desejo, és mais que palavras escritas.
Sabes, fazes-me perder-me nas letras, nas frases. Não há construção frásica que resista ou paleta de cores completa. Nada há neste conhecido universo com que se consiga transpor e explicar o que és. Tudo fica insignificante, tudo fica aquém da tua definição. Poderia dizer que és bela, interessante, significativa, doce, eterna, encantadora, deslumbrante e juntar ainda mais 40.000 palavras de um dicionário de adjectivos felizes e ainda assim a justiça não seria feita.
A melhor definição de ti és tu, assim, completa.
É conhecer-te, deixar-me absorver por cada ínfimo de ti, cada gota do teu ser. É ouvir-te, ler-te, pintar-te, fotografar-te. É ser melhor contigo, é ser eu sem mais nada. É deixar que o mundo acabe, se feche e impluda. É deixar acabar o ar e a água e a luz e mesmo assim não lhe sentir a falta, porque és tudo isso e muito mais. És areia da praia, és água de mar, és luz prata de um lua encantadora, és estrela e cometa, és mundo e universo. És vácuo que me faz expirar, és oxigénio que me alimenta o ser.
És arte.
Não. És muito mais que arte.
És tu.
Sem palavras
Abraça-me e aperta-me enquanto deslizo pelo teu peito como gata.
Aperto-te entre os meus braços fortes, faço-te encostar o ouvido ao meu peito. Sente. Ouve. Repara como a máquina da vida bate contigo. Coloca a tua mão no peito, sente-o vibrar na ponta dos teus dedos, desenha-o na minha pele. Abraço-te como se não pudesse haver amanhã. Tenho sede de ti. Tenho sede da tua boca que me arrepia o corpo. Tenho saudade de sentir o teu perfume adormecer-me na noite que começa, de o sentir subir pelo peito com o calor, qual chaminé doce que canaliza todo o teu inebriante aroma até mim.
Giro sobre ti, deixo as minhas costas coladas, sinto-te húmido e quente e viril, cheiras a terra, sinto-te sorrir, quando me seguras as ancas e me forças a procurar-te e eu não vou. Mas, desço e devoro-te, num demorado, intenso, muito molhado jogo de língua roçando o céu da minha boca, também este com as duas mãos…. Como um beijo deve ser…
Sinto-te descer. Sinto-te devorar. Olho-te, sorrio-te. Puxo-te a mim, mais, sempre mais. Quero a tua boca na minha. Quero sentir o gosto da tua saliva. Senti-la escorrer para a minha boca. Quero sentir a tua língua que se enlaça na minha. Quero despir-te devagar, ouvindo o doce roçar das roupas pela tua pele, ouvir bater no chão. Quero ajoelhar-me a teus pés e descalçar-te. Morder por cima do pano que te cobre na intimidade. Sentir o calor que emana de dentro de ti. Quero-te de pé parar beber da tua fonte. Quero perscrutar o teu interior, sentir a sua maciez, a sua candura na ponta da minha língua. Sentir a tua humidade que me enche a boca de sabor forte e doce. Engolir-te no que é mais teu.
Não pares… Faz-me cegar.
Deito-te docemente no teu vale de lençóis. Cubro-te o corpo com o meu. Em pequenos e doces toques de lábios desço da tua boca, pelo teu peito, que rodeio em doce cadência. Sugo-o com os lábios fechados. Desço pela barriga, paro no umbigo, enquanto as minhas mãos te afastam as coxas. Desço até chegar ao teu ponto íntimo. Sinto-lhe o aroma. Sentes a minha respiração compassada. Sobem as mãos que delicadamente apertam o peito, o rolam entre os dedos. A língua que toca, em toque pequenos, a humidade que desponta de ti. Rodeio com a ponta de língua, em toque de cócegas. Sinto-te arquear, abrir. Penetro-te com a língua. Quero chegar ao fundo de ti. Lento, faço-me até onde não posso mais. Sinto-te na minha boca. É espesso, é delicioso. “Quero mais…” digo-te. E ofereces-te mais ainda. Sinto-te as mãos que no meu cabelo me puxam. Sinto que te invado por completo. Salivo-te em cada pedaço de pele. Sinto que me apertas com as coxas. Quero o meu prémio. Peço-te. Quero a tua explosão. Exijo-te. Quero sentir os teus espasmos electrizantes e sensuais nos meus lábio. Agarro-te as mãos, entrelaço-te os dedos. Quero. Agora…
Shhhhh…..fica.
Beija-me deixa-me saber a mim.
Sinto-te os espasmos. Subo até aos teus. Beijo-te. Toma-te. Gosto de te beijar assim, com o teu sabor. Vem. Deita-te no meu ombro. Aconchega-te a mim. Enlaça-me. Gosto de sentir o teu peito no meu.
Pudesse eu…
Soubesse eu ter o dom das palavras para te dizer o que penso. Mas não o tenho, sei dizê-lo apenas de uma maneira.
Fazes-me povoar a imaginação de viciosas ideias de deleites inconfessáveis. Fazes-me desejar trincar-te a carne como se trinca a alma. Ah pudesse eu ter letras suficientes para construir as mais belas palavras, e brincar de puzzle e construir frases e textos e capítulos e livros com tudo o que vejo. Mas não tenho. Tenho apenas uma forma de o dizer, de o escrever.
Soubesse eu pegar em pincéis e telas, e soubesse eu desenhar e colorir quadros de sonhos que sonhei. Pudesse eu murmurar em tons pastel a paz que me dás e a fervorosa calma que me aconchegas. Mas não sei. Sei apenas desenhar numa qualquer cor num qualquer papel as letras que repito.
Pudesse eu fechar-te os olhos e fazer-te sonhar, imaginar, alcançar tudo aquilo que eu próprio sonho, nem que fosse apenas dar-te a mais pequena gota do grande oceano em que me fazes navegar.
Pudesse eu conseguir fazer sair as palavras destes rudes lábios e fazer-tas chegar ao teu coração. Mas não consigo…
Pudesse eu fazer-te sentir…
…tudo.
Mas não posso, não consigo…
Apenas sei escrever, és bela…
A carta que nunca enviei…
Esta é a carta que nunca te enviei. A carta que esteve guardada na gaveta, que esteve escondida até de mim. Estas são as palavras que nunca leste apesar de te estarem destinadas, apesar de te estarem escritas há tanto e tanto tempo…
“Nem sei como começar. Eu, que sempre tive as palavras na ponta da língua e dos dedos, nem sei como começar. Estranho para mim esta sensação de não conseguir verbalizar aquilo tudo o que se sente. Estranho o facto de me encheres de tanto que me faltam as letras. Tento escrever, aqui e agora, as palavras que não saem quando estou contigo. Tento formar palavras coerentes para tudo aquilo que me invade de forma tão incoerente. É impossível, pelo menos para mim, descrever aquele sentido tão próprio que uma despedida faz invadir por todo o meu ser. É como se a saudade fosse possível estando tu ainda junto de mim. Não sais da ideia de um forma tão intensa, tão própria, tão única, que dou por mim de olhar vagueante pelo que me rodeia não vendo nada que não seja a tua imagem gravada na retina. E quando estou contigo, dou por mim a olhar-te no fundo dos olhos, procurando um sentido, uma ideia do que sou de mim, daquilo que me fazes ser, porque me fazes sentir diferente.
A noite ficou diferente, o som do mar ficou mais manso, a areia com que brinco por entre os dedos mais branca, as estrelas brilharam de forma mais intensa, porque cada vez que as olho, me recordo do doce toque acetinado dos teus lábios enquanto a ponta dos dedos te percorria a pele da face. Consigo ainda desenhar-te de olhos fechados quando à noite me sento no chão, ao escuro e me deixo embalar pelas doces recordações dos breves momentos em que estivemos presentes face a face. Há momentos únicos na vida e tu deste-me um, tão belo e intenso, que não há palavras, tela ou fotografia que o conseguisse imortalizar como eu imortalizei os sentidos. Sinto ainda o corpo vibrante, a voz melodiosa, o sorriso com que me brindaste. Sinto-te ainda comigo, como se estivesses aqui, agora, pegando-me no braço e deixando-te encostar no meu ombro.
São as recordações destes momentos que me vão levando, me fazem andar mais um pouco, me fazem lutar por mais. São esses momentos que me fazem querer-te mais ainda.
E por aqui me fico, nesse doce sentir das recordações, no doce sonho de querer mais, mais sentires, mais recordações, mais de ti.”
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