Uma vez escrevi…
Lábios quentes e sedosos, passando pela ponta dos dedos como brisa morna de um fim de tarde quente, adormecendo todos os outros sentidos. Aromas inebriantes que batem como chapadas de cordas de seda, fazendo tudo o resto desaparecer sob os nossos pés e o mundo tornar-se apenas naquele lugar tão pequeno e tão grande, encolhendo o universo à singela figura à nossa frente. Olhos fechados, quietos, cegos por assim o querer. E voa-se nas imaginações dos impossíveis como se de repente houvesse asas brilhantes que nos elevam nos céus de felicidades fantasiosas e incoerentes.
Custa voltar à terra, ao sujo chão, imundo de mentiras e enganos, conspurcado pelos sons dos inertes, falhados de uma vida que não tem sentido. Sentidos obrigatórios de uma existência arrastada e desconsolada. Somos o que fazemos de nós, dizem. Mentira, digo eu. Somos nós, estes nós, únicos e perdidos, raros e tendentes à obliteração, que deixamos que nos façam a vida, tomem as nossas escolhas através das nossas consciências, manipuladas e coagidas a serem para sempre espezinhadas por vontades impostas. Temem que nós, os escravos modernos de uma paz podre, nos amotinemos contra as democracias de tiranos, que recalcam sempre que podem, fazendo-nos rastejar pelo sangue que nos cai da boca para não falarmos, dos ouvidos para não ouvirmos, dos olhos para não vermos.Mas a mente meus amigos… A mente continua livre. Livre para sonhar com o Valhala dos guerreiros dos tempos modernos. Felicidades inalcançáveis, ou não, em que os equilíbrios surjam na razão natural da existência despreocupada de apenas amar.Um dia, quando do pó de novo surgirmos, talvez, apenas talvez, sejamos capazes de formar o nosso paraíso aqui por onde andamos…
Uma vez escrevi…
(No seguimento de um post anterior, deixo mais uma vez algo que escrevi há algum tempo atrás)
Meus queridos amigos,
Chegou a hora de dizer adeus. Chegou a minha hora de acabar com este sofrimento que me atormenta a vida. Chegou a hora de ser feliz e deixar tudo isto que me persegue há mais tempo que aquele que consigo recordar. Chegou a hora de terminar esta triste existência.
Do que vivi, houve tantas e tantas coisas que me arrependi, e outras tantas que faria de novo. Amei, como acho que nunca ninguém amou. Dei-me de corpo e alma, tentei ser amigo, tentei ser melhor com vocês e tenho a agradecer-vos por isso. Foram vocês que me fizeram adiar este momento até ao inevitável. Mas a altura chegou. Cheguei ao momento em que ou era agora ou nunca mais. Escolhi o agora. Peço-vos que não se sintam tristes. Não valho a pena, não sou insubstituível. Talvez vos esteja a causar tristeza, mas como tudo na vida, também passará e daqui por alguns tempo, pura e simplesmente serei esquecido por vós. E não adianta abanarem a cabeça a dizerem que não, porque sabem que é verdade. As lembranças de mim, o tempo encarregará de as apagar, e se a dor surgir agora, depressa passará. Confio em vocês, para que tenham a força para que assim seja.
Foi tão bom ter-vos conhecido. Amei-vos com todas as minhas forças. Preencheram grande parte da minha vida, tornando momentos comuns em algo de estrondosamente belo. Escrevi com vocês e para vocês. Foram minhas musas durante tanto tempo. Mas conhecem-me suficientemente bem para saberem que não me chega. E hoje vou apenas pensar em mim. Vou pensar apenas e só em mim.
E por isto tudo, chegou o momento de vos dizer adeus.
Adeus meus amigos. São vocês o que levo deste mundo.
Cuidarei de fazer boa viagem
Uma vez escrevi…
Apetece-me recordar alguns escritos que tive. Fica como se fosse uma rubrica…
Há momentos que ficam registados na memória. Momentos que ficam cravados em nós de uma forma tão profunda e intensa que se torna inexplicável. Preenchem-nos, enchem-nos de uma sensação de suavidade, de uma felicidade suave, de…
Talvez a melhor analogia seja a de, quando nos vamos recordando desses momentos, seja a de fechar os olhos e sentir um lençol de seda poisar sobre o nosso corpo.
Criei momentos desses, vou criando ao longo do meu caminho. Pequenos momentos, olhares, que de vez em quando vou desenterrar à memória e, de olhos fechados, me invadem com um sorriso enorme, feliz, sincero.
Se tem vezes que não posso imortalizar fisicamente esses momentos, há outros que, acompanhado de uma máquina fotográfica, os consigo imortalizar, gravar.
Há, felizmente, momentos assim.
E eu gosto do momento, porque dos momentos se faz uma vida inteira.
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