A mão sobe e espalma-se na testa, puxa o cabelo que lhe cai à fronte para trás, fazendo brisa cheia de perfume que fica a pairar no ar à sua volta. Dá vontade de fechar os olhos e simplesmente ficar na quietude do espaço absorvendo cada partícula daquele aroma tão próprio. Invariavelmente, aquele gesto é acompanhado do fechar de olhos que se diria quase mecânico e, quando a mão volta à sua posição natural e a cabeça pende novamente para a frente, depois de ter acompanhado gentilmente o movimento de palma alisador, os olhos de novo se rasgam.
Às vezes olhos cansados, fatigados de um dia demasiado longo ou de um planger de uma qualquer conjuntura melancólica, outras, bastas, repletos de sorrisos ternos, amores sentidos, felicidades transbordantes. Expressivos como eloquentes são as mãos, o corpo, que brande em uníssono, harmonia universal, amolda-se no sesso como gata enovelando-se, pronta a ser arquétipo de pintura, molde de escultura, viva e excitante.
Vontade do perpétuo, do perene mirar de tão bela obra por Deus criada e soprada pela brisa da existência. Não afadiga a quimera, pelo contrário, dá magnitude, alcança-se o etéreo, sente-se o sangue que flui e a alma que resplendece.
Assim, em fotograma de escritas, te enxergo eu num momento.