Rasgar

Rasga-se o tempo, rasga-se o ser, na esperança da liberdade prometida. Rasga-se a carne, banha-se no sangue que jorra em golfadas borbulhantes, do ar que entra e se força a sair.

Gritos lancinantes que fazem a garganta enrouquecer na loucura da morte que se anuncia. Os joelhos bambaleantes que fazem o caminhar trôpego, lento. E o sangue que tinge a vermelho o chão por onde se passa, e ensopa todo o corpo, aspergindo quem nos rodeia. Veia jugular que em bica esvazia o corpo, faz a máquina de pedra perder cadência e que bate cada vez mais lento…

…lento…

…lento…

… até à paragem completa. E o corpo que se abandona numa vala comum, passando despercebido aos olhares de quem por ali passa.

E por fim a liberdade prometida, no exercício final do rasgar do ser.

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