Reflexões

Num ou noutro momento da vida, as expectativas que temos para nós mesmo caem por terra. Sonhamos alto, sonhamos o que queremos ser, desde ser bombeiro quando andávamos na escola primária até o que sonhamos conseguir quando temos o canudo na mão.

E muitas vezes, a vida leva-nos por caminhos que não são os sonhados. Tem vezes que para bem, em que o que conseguimos fica muito para lá do objectivo traçado, outras vezes aquém do esperado. Moldamos o nosso viver e o nosso querer ao que vamos encontrando pelo caminho, ao que o destino, para os que acreditam nele, nos dá por meta.

Dizia eu ontem que a minha meta, colocada a mim mesmo há muitos anos, era atingir a utupia da perfeição. Era o que queria ser, um Homem perfeito. Utopias como já disse, indo ao contrário do que os livros pelos quais estudei me diziam. “Os objectivos, quando designados, devem ser sempre alcançáveis”. A perfeição não o é, claramente. Mas julgava eu na minha inocência que, um objectivo tão grande e tão ambicioso, me daria forças naturais na luta constante de o atingir. Engano meu. O querer o inalcançável leva a derrotas psicológicas devastadoras, o erro, forçado ou não, leva a tristezas profundas e inquietantes.

Costumo comparar a minha vida a uma onda sinusoidal, embora os intervalos não sejam tão regulares como o gráfico. Mas em termos de princípio é assim mesmo. E senti-me no topo nestes últimos dias. Não sei porquê, não tive razão aparente para isso. Mas senti-me mais perto da minha utopia que, apesar de saber que o é, ainda não me largou. Ainda penso nisso, ainda luto por ela. Mas também, como sempre, quando estou no topo, aguardo com alguma inquietação o inicio da descida. Aguardo o motivo que me leve a cair, porque sempre caí. Aguardo o motivo da angústia, porque sei que ela chegará. Há coisas que sabemos sem saber exactamente o como.

E estou à espera, agora, de começar a descer…

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14 responses to “Reflexões

  • Anónimo

    Primeiro é pra te dizer que tinha uma ideia mas não sabia o que era uma onda sinusoidal e por tua causa já fiquei mais culta 🙂

    E segundo , não esperes cair pois é muito bom estar lá em cima … a paisagem é melhor,tudo é melhor e algum dia tinha que chegar a tua vez …quem sabe não é agora ????

  • John Doe

    As expectativas de que tudo ficará bem são cada vez mais diminutas. E o perfeito não existe. A questão não é o querer ou não querer ficar em cima, mas a inevitabilidade da queda. Espera-se apenas que seja suave, e não um trambolhão desmedido… É essa a única esperança.

  • Anónimo

    … mas estar lá em cima não quer dizer que seja tudo perfeito .

    Aliás detesto coisas perfeitas e te garanto que a queda não é inevitável mas se tiver que ser, a única coisa que tens que fazer é aprender a cair e tornares-te um atleta de alta competição … a determinada altura já não doi nada e levantaste com a maior das facilidades…

  • John Doe

    Diz-se aqui pela minha zona que “Burro velho não aprende”. E é mais ou menos isso que sinto. Nunca aprendi a cair. É sempre doloroso. Que me levanto sempre é um facto, e lambo as minha feridas e segue-se em frente sacudindo o pó da roupa. Mas não consigo evitar as mazelas que me vão assombrando para o resto da minha vida.
    E sim, sinto que a queda é inevitável. Coisas que a vida me foi dando a saber…

  • Anónimo

    A vida só nos dá aquilo que temos capacidade de suportar…
    portanto isso só mostra que és um gajo forte!

    E como “dos fracos não reza a história”…

    Quanto a ditados, não me ganhas pois no meu caso sou tão casmurra que : ” água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”…

  • John Doe

    Talvez seja verdade que só nos dá o que somos capazes de suportar. Pelo menos até agora tenho suportado. Normalmente apetece é não suportar tanto, não ter tantas mazelas, nódoas negras e cicatrizes.

    E ao contrário que dizes, olha com atenção para a história e verás tantos fracos, bem mais que os fortes.

    E água nem sempre fura. A maior parte das vezes desgasta até partir ou pura e simplesmente desaparecer.

  • Anónimo

    Sim são mais, são é fracos… puffffff
    Quanto ás nódoas negras e cicatrizes , são elas que fazem as pessoas crescer e são medalhas de guerra

    E já agora mais um ditado :

    as pessoas só se levantam depois de cair …

    ( não me estava a lembrar de nenhum mais apropriado …)

  • John Doe

    Isso tudo é verdade. Eu só não preciso de tantas medalhas. E se não cair já não preciso de me levantar.

    Eu não me importaria de cair e levantar se aprendesse alguma coisa com isso. O meu problema, confesso, é que volto a cair exactamente nos mesmos problemas. E se continuamos numa de ditados há aquele que diz que à primeira todos caem à segunda só quem é tolo. Pois bem, tenho a sensação que a tolice habita em mim…

  • Anónimo

    … estou danada mas não me estou a lembrar de ditados de jeito a nao ser tipo : “mais vale uma mão…que duas no soutien” mas nao serve pois não? 😦

    E quanto à tolice habitar em ti ,acho que não és o único…

    Mas nada de : “não os podes vencer, junta-te a eles” ouviste????

  • John Doe

    Não, esse não serve 🙂

  • Anónimo

    Agora que já vi já ultrapassamos a barreira do 10 comentários ( DEZ !!!) ,
    que já só me lembra ditados malucos,
    que te arranquei um 🙂
    e que tou com fome pra lanchar,

    deixo-te ficar por cima, ganhaste pronto 😦

  • John Doe

    Não há vitórias…

  • Anónimo

    … empate técnico 🙂

    É o que mais gosto …

  • John Doe

    Não gosto muito de vencer nem ser vencido também. Só no futebol, que gosto de vencer obviamente…. 🙂

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