Reflexões

Disse há bem pouco tempo que não me dou bem com críticas, mas críticas das que me põem abaixo, que nada me trazem de novo, que não me ajudam a construir. E não gosto, detesto, odeio e todas as palavras mais fortes que consigam encontrar.

Detesto que as pessoas não me creiam, duvidem de mim e da minha palavra. Detesto que coloquem em causa o que sinto, o que faço e como o faço. Não há no mundo quem me consiga entender melhor que eu mesmo, venha quem vier. Até o Papa se quiser. Detesto que me julguem, pelo que penso e pelo que faço e de como o faço. Não o faço a ninguém, não admito que mo façam a mim.

E sinto que me julgam todos os dias, que todos me dizem o que devo ou não fazer, que me testam e que me colocam em causa. Sinto que todos me apontam dedos, chicoteando-me por não fazerem as coisas que supostamente devo fazer porque acham que é o é melhor para mim. Sinto que todos sabem o que é melhor para mim, excepto eu. Afinal tenho razão quando digo que sou burro. Afinal tenho razão quando digo que não sou nada e nada serei. Afinal tenho razão quando quero desaparecer, esfumar-me no ar. É que parece que não posso andar por mim, mas sim pelas ideias que os outros fazem de mim, mesmo que deturpadas, mesmo que mentiras, mesmo que eu sinta que não é o melhor para mim. Todos conhecem o caminho que devo percorrer excepto eu.

A experiência que falei há uns tempo atrás decorre ainda, imposta… Fizeram-me prometer que a faria, disseram-me como haveria de a fazer. Eu eu faço, como me disseram. E os resultados são nulos até agora. Mas a culpa é minha, como sempre, porque sou eu que não a faço como deve ser feita, dizem-me. Mentira digo eu. Não há resultados porque não há nada a resultar. Eu sigo à risca o que me indicaram, apesar de não ser minha vontade, que não o é. Mas sigo os conselhos de outros, falo do que me magoa por dentro, do que me aleija todos os dias, do que me faz sofrer, do que me magoa. Mas não. Pelos que me dizem não é disso que devo falar. Devo falar de episódios isolados que trouxeram dor sim, mas que são passados, que não se repetem, que já não são tanta dor assim. Mas pelos vistos devo dar mais importância a esses que aqueles que me fazem sofrer todos os dias. Afinal sou eu que sou burro, o pouco entendido, o que se queixa que ninguém percebe mas que afinal não se percebe a si mesmo, porque todos os outros me percebem melhor.

Tenho afinal razão ao desejar a morte todos os dias. Tenho afinal razão que ao desaparecer é menos uma preocupação para tanta e tanta gente. Ficarei uma preocupação menos.

Mas que sei eu não é? Burro todos os dias…

(E aí vem a queda, se é que eu me consigo entender… o que já coloco em causa também…)
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4 responses to “Reflexões

  • mf

    Estás em queda, pois estás. E tens duas opções: ou te deixas cair, sentindo toda essa comiseração por ti mesmo, e ficas aí; ou ficas furioso e optas por te levantar, pensando ‘venha quem vier, digam o que disserem, eu quero é sentir-me bem comigo mesmo e vou apostar em mim’.
    A única coisa que te posso dizer é que as feridas só se curam quando lhe deitamos desinfectante em cima. E normalmente isso dói. Ficares na ideia de que és burro, que fazes tudo mal, que ninguém te entende, implica ficares num sítio que conheces há muito e que te é confortável. Magoa, mas não tanto, porque já te habituaste a ele.
    Agora, convenceres-te de que vale a pena apostares em ti assusta-te. É muitíssimo mais desconfortável do que essa dor. Tocares em todas as feridas, querendo curá-las de vez, é muitíssimo assustador. Implica enfrentar tudo, até o ‘monstro’ que achas que és.
    Mas, sabes… Eu espero que, um dia, te fartes de sofrer. Espero que chegue um dia em que digas ‘basta, quero ser feliz, não quero mais dor, vou apostar em mim e só em mim’. Só nesse dia vais começar a mudar a tua vida, porque só nesse dia vais pegar em todas as tuas armas para a mudar.
    Tu és uma pessoa muito bonita que não sabe que o é. E eu espero que um dia escolhas ver a beleza que há em ti…

  • John Doe

    Desculpa a sinceridade, mas de cada vez que leio o que escreveste só me ocorre uma palavra…

    TRETAS.

    Queres saber porquê? Porque quando ainda hoje falei do que sinto, alguém me chamou aldrabão… Se não acreditam naquilo que digo, para quê o incómodo. Chego à questão não me percebem mesmo ou sou burro e não me percebo a mim? Pensava que era a primeira. E agora questiono-me se não será a segunda.

    Mas isso sou eu, que sou aldrabão…

  • Bi

    que fizeram ao meu amigo?…já não mora aqui? estranha sensação, este não conheço! maozinha pela cabeça, não sei passar, mas…tá na hora de conversar. Espero a visita!

  • John Doe

    Bi:

    Ando por cá sim. No worry…

    E conheces sim…

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