Intolerâncias

Se há coisas que não gosto é da intolerância. Intolerância pela cor da pele, religião, sexo ou qualquer outra coisa. É algo que me faz remoer as entranhas de mim.

E ao longo da vida já eu próprio senti intolerância, por ser gordo, feio, e outras coisas mais. Mas a intolerância que mais odeio é mesmo a intolerância dos pensamentos e sentidos. Ás vezes torna-se gritante a incapacidade do outro conceber que se sente e pensa de maneira diferente, que o que é válido para uns não é válido para outro, por tentar fazer com que uns vejam os pontos de vista do outro apenas porque tem a ideia que está certo. Mas será assim tão impossível conceber que os conceitos para uma mesma coisa pode ser diferente de pessoa para pessoa? Será assim tão inconcebível que o mesmo facto pode ter leituras diferentes? Julgo que não, tanto que eu próprio não julgo ninguém. Procuro conhecer para entender os pontos de vista, questiono para perceber o porquê dessa visão diferente da minha. Se a entender como errada, digo o porque a acho errada para mim, e apenas para mim. Mas não tento convencer ninguém que está errado. Esse convencimento tem que partir do outro, se julgar que os meus argumentos são válidos. Se não o julgar assim, apenas tenho que aceitar esse facto e nada mais. É principio meu aceitar as pessoas como são. E gostar delas assim. E o contrário poderá suceder também, e quem transformar os pensamentos seja eu, porque os argumentos que me apresentam são melhores que os meus, porque me fizeram perspectivar diferente sobre a mesma coisa. Mas uma coisa digo, não é a mostrar intolerância, que me fazem mudar de ideias. Não é a custo de insultos que conseguem argumentar. Ou conseguem, mostrando-me a mim, que são as minhas ideias que estão correctas, acreditando nelas ainda com mais convicção.

E é essa intolerância que me faz arrepender de me abrir, de me mostrar como sou, de mostrar tudo de mim. Porque sei que penso de maneira diferente, sinto de maneira diferente, julgo-me a mim mesmo de maneira diferente. E esse mostrar dá azo a essas intolerâncias.

Eu apenas sou intolerante perante uma coisa. A própria intolerância…

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9 responses to “Intolerâncias

  • Sininho

    Em partilha consigo, meu caríssimo recém descoberto John Doe, também o senti num diferente talvez…permita-me então:

    “Talvez um dia tenhas o entendimento da pessoa que sou e que está tão noutra bolha de realidade distante da pequenez pusilânime que me reduz e onde me agrilhoaste cruelmente.
    Sou uma entre milhares, que também fez escolhas e já aprendeu num perpétuo movimento, com tantas aquelas que nem sempre foram as melhores ou onde, numa contrição humilde, não me glorifiquei. Mas a construir-me sempre. Sinto a coluna dorsal esticada e a aceitar de quem gosto o reconhecimento tácito desse meu estranho modo de vida.
    Esse é que eu estou de alma aberta ao mundo: que olho pelas janelas entre as frinchas das gelosias dos outros, sem censura. A consciência e responsabilidade de que um juízo é arcano e tem sortilégio nos outros. Não te precipites- Eu sou uma outra.

    Na minha herança se disse pela voz da mais sábia das minhas mulheres, que posso ser uma livre pensadora e ter vida e força para ditar as minhas regras. Sou portanto perigosa, suspeita – Mãe, como és imensa- Ela disse-me para nunca me privar de viver os outros pelo que alguns menos iluminados pudessem recriar de mim. Que era um caminho duro, porque era verdadeiro. E é verdade. Este arbítrio não é fácil, mas é real, íntegro, inteiro. Não tenho mentiras, nem verdades mutiladas. Tentáste-me num caminho de um velo obscuro, onde deixei de me incandescer de pureza. Rebelei-me. Já não estou zangada.

    Reconheço que somos diferentes, queremos coisas distintas e sentimos a vida a outro ritmo. Soltei-me. Vives agora noutra bolha que não é aquela que eu respiro. Assim temos ambos mais ar para viver.”

    Bem -haja

  • John Doe

    Aqui, tudo é permitido…

    E fiquei sem palavras…

  • Sininho

    Que nunca tenha eu o ónus de o silenciar.
    Escolhi assinar sininho, porque cândida e docemente me dizem que às vezes faço voar. Foi tão bom ser levada pela sua mão envolta no seu pó de oiro desta vez.

  • John Doe

    Sabe, às vezes o silêncio vale mais que mil palavras. E quando ficamos em silêncio por não haver palavras suficientes para expressar o que sentimos, deixando apenas o olhar falar por nós.

    Bem sei que o olhar por aqui não funciona, mas fica o silêncio de respeito e agradecimento…

  • Sininho

    Respondo para mim…. “shhhhhhh”, de dedo nos lábios e saio de mansinho para o deixar serenar com os anjos e pedir-lhes que velem por si.

  • John Doe

    Havia um azulejo pela casa dos meus avós do qual nunca me esqueci. Em branco rabiscado a azul dizia a simples frase “Que Deus te dê o dobro daquilo que me desejas”…

  • Sinhinho

    E fiquei….parabéns meu anjo.

  • Sininho

    Lembro-me tão bem deste momento.

  • Francisco

    Como se fosse hoje, numa sucessão de momentos que marcam a fogo manso, que deixa rasto sem queimar.

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