Acordares

O dia acorda sonolento, espreguiçador, trazendo o primeiro calor do raio de sol que passa pelo buraco do estore quase completamente fechado. Fantasmagórico aquela visão dos raios que entram e se espalham pela cama desfeita e chão claro. Retira-se a roupa que cobre de um safanão, trazendo à baila aqueles pequenos grãos de pó que rodopiam no ar. Os olhos ainda semi-cerrados do dormir, fechados ainda pela intensidade da luz, o corpo dormente, preso, convidativo ao expandir do corpo, que se faz já de pé, corpo nu, retesado da manhã. Olha-se o ninho de onde se saiu, vê-se o corpo dela, pele despida, branca, macia, ternurenta, objecto de beijos e caricias da noite, local de toques e sensações, arrepios e loucuras. Desliza-se a pouca roupa que a cobre, lento, perspicaz, doce para que não acorde, não já, não agora, que é momento de contemplação, momento de honra ao templo de amor e desejo. Sente-se uma vez mais, na ponta dos dedos que percorrem as suaves curvaturas das costas, tão nuas como ele, a candura, a simplicidade daquelas linhas que se deixam levar no suave silêncio da manhã. Pele branca, amarelecida pelo raio de sol que poisa suave, vontade de beijar, vontade de apertar, vontade de ter. A mão que se abre, cai num todo, afaga na plenitude, corre a lateral em subida, sentindo aquele ponto em que ao rijo do osso se passa ao suave do seio, quente, brando, moldável à palma que o acaricia, deixando os dedos sentirem o vale que os separa, na palma o mamilo que se retesa ao contacto. Pára-se, sente-se apenas o respirar lento, compassado, o coração que bate. Cabelos desgrenhados, tapando a face, laivos de um aroma conhecido, quase desaparecido. Encosta-se face na face, deixa-se que os cabelos dela divaguem na cara dele, soltos, lambidos. Encosta-se o peito às costas dela, molda-se a ela, que dorme ainda, que não desperta, que não se quer desperta. Mão que desmonta o seio, esquadrinha entre costelas, passa pelo umbigo, cinge-a a si, sente o suspiro, sonha talvez, ajeita-se, comprime-se a si involuntariamente. Joelhos que se flectem, em simbiose perfeita, corpos juntos em um só, e a luz que sobe, como que ele próprio exploratório, toca-a, como ele toca, ligeiro, sorvente. Ele quer mais, quer sentir mais e explora as suas entre coxas, sente-a, pequeno pêlos em monte de Vénus, afaga-os, delira com eles. Entrega-se a ela por completo, abandona-se nela, num acordar ternurento. Aguarda-se pacientemente o seu despertar, aguarda-se o seu novo nascer, ali, com ele.Beija-lhe a face, descobre-lhe o corpo, afaga-lhe a alma.

Doces acordares…

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2 responses to “Acordares

  • Sininho

    Esperguiça-se num murmúrio que acompanha o seu esticar de gata, lânguida e consciente das boas vindas. Expira para em apneia e olha-o e detém-se um momento para se inundar daquele calor que a embrulha de doce e tesão. Pensa, que bom ser, que bom ter-se demorado em mim e entende porque o amor dele é o melhor afrodisíaco e que as feromonas agradecem. Entende mais , entende que quer mais dias e minutos daquele momento, que quer que a moldura do corpo dele se deixe marcada no colchão, que entendeu que lambido nas costas está tatuado um coração e que o gostava de o decalcar como sudáro numa tshirt para o mostrar ao mundo como prova. entretanto diz-lhe: “- Faz amor comigo… devagar.”

  • John Doe

    Respondo-te apenas com um sorriso…

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