Surpresa

Numa formação recente, em que eu era formando, fizemos um jogo peculiar. Consistia em prender com uma mola, uma folha de papel nas costas. Depois escrevíamos nas costas dos outros uma característica que achávamos dessa pessoa.

Fiquei surpreso com algumas que me apontaram. Surgiu o simpático, o acessível, o sério, o bem disposto, o experiente e, a que me surpreendeu mais, misterioso…

Perguntei depois o porquê de apontar essa característica e responderam-me que era por o meu olhar ser difícil de perceber…

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20 responses to “Surpresa

  • Princesa (des)encantada

    Francamente, a mim não surpreende que o olhar seja tão misterioso como a escrita. Já deixaste por aí várias vezes de formas diferentes que vives no teu mundo e não queres lá mais ninguém. Essa muralha à volta de ti, que não deixa entrar nem a vista, há de se ver nos olhos, por isso o que não se vê para lá da muralha, é mistério para quem te vê, e lê.

  • John Doe

    Não deixa de ser surpreendente que alguém note…

  • Princesa (des)encantada

    Somos sempre mais transparentes do que pensamos. Mesmo que só mostremos muralhas, porque só isso já diz de nós.

  • John Doe

    É um facto. Mas o o surpreendente é alguém sequer ver. Olhar, olhamos sempre. Ver é bem mais difícil.

  • Anónimo

    O “pior” é quando se vê o que vai na alma do outro
    e isso nao chega …

    Anya

  • John Doe

    Não chega para quê?

  • Princesa (des)encantada

    De acordo… Ironicamente, acho que todos podem “ver”, mas só do que chamo de uma “alma comunicante” – o encontrar isso é que é difícil, e surpreendente quando acontece.

  • Anónimo

    Não chega para o fazer feliz …

    Posso parece incoerente mas garanto-te que não .

    Anya

  • John Doe

    Princesa:

    Só pode ver aquele que tem capacidade e vontade de o fazer. Sabemos que há sempre gente com muita pouca vontade de esforço de efectivamente querer conhecer e conquistar.

  • John Doe

    Anya:

    Ver apenas não faz ninguém feliz. De acordo contigo. Mas saber ver é um passo muito importante. Sem ver não conheces, sem conhecer não amas, sem amar não fazes ninguém feliz.

  • Princesa (des)encantada

    Uns não querem ver, não se dão ao trabalho, certo. Mas há outros que não querem mostrar, e conseguem mesmo esconder. Aí, por mais que se queira ver, se faça o esforço e não falte vontade, não se consegue mesmo entrar.

  • John Doe

    Depende de tanta coisa Princesa. Depende por exemplo da forma como se tenta entrar. Já houve tempos em que me mostrava sem pudor e magoei-me imenso. Hoje só deixo entrar quem efectivamente consegue despertar em mim uma sensação de segurança sem limites…

  • Princesa (des)encantada

    John Doe, segurança sem limites não existe… Muito menos intuitivamente. Faço eu agora a pergunta: achas que alguém se arrisca a tentar entrar se mostras uma porta fechada?

  • John Doe

    Mas se alguém desiste por encontrar uma porta fechada, será que quer verdadeiramente entrar? Será que essa dificuldade torna impossível? Será que não há brechas por onde ir?
    Confesso-te que me protejo até mais não conseguir. Confesso que neste momento dificulto a entrada o mais que posso. As cicatrizes ainda por cá andam. Vou-me ficando no meu mundo tão particular. Perguntaram-me num texto abaixo se conseguia ser feliz no meu mundo. E a minha resposta de então, que ainda é válida, é que sim. Se é uma felicidade completa? Não te garanto que seja. Mas não me faz cicatrizes… Já as tenho que cheguem e, cada vez que lhe passo os dedos por cima doem-me ainda. Dirás tu que não nos devemos concentrar no passado e olhar para a frente, que nem todos são iguais e que pode haver pessoas que não nos magoem. Verdade completa e absoluta. Mas neste momento não dou azo a sequer que isso seja colocado como cenário. Poderás até mentalmente pensar que sou um idiota, um estúpido sem paralelo por pensar assim. Talvez o seja.
    Mas cicatrizes é que não quero mais…

  • Iris Barroso

    Deve ser como o sorriso da Monalisa: Depende da percepção de cada um.

    Sempre achei que estes jogos servem mais para conhecermos quem nos descreve, do que a nós mesmos.

  • John Doe

    É um facto que fiquei a perceber como me viam… Supostamente era também para a formadora nos conhecer…

  • Princesa (des)encantada

    Quem esbarra com portas fechadas, e tem também cicatrizes de ter andado a tentar abrir outras portas que nem vacilaram, tendo-se entalado em todas as frinchas que tentou, não terá razão para ver na tua mais uma impossibilidade, um enorme perigo? E isso não somos quase todos?
    Não te acho idiota ou estúpido, ou nada que se pareça. Também fechei a minha porta conscientemente durante muito tempo, carrego os meus fantasmas e tenho muitas cicatrizes. Também vivo atrás de uma muralha porque não quero mais cicatrizes. Mas pior, pior, é que um dia alguém rebentou com isso tudo sem eu saber como nem porquê, e de repente, o susto foi uma vertigem tal, foi uma invasão tal, que fechei a porta subitamente, sem explicação, cheia de medo. E assim perdi alguém que me podia ter feito feliz. E que não quis voltar a bater a uma porta que lhe foi fechada sem porquês e terá deixado a sua cicatriz. E me fechou a sua porta. Não se pode condenar.
    Atrás da porta, também se fazem novas cicatrizes. A nós próprios e aos outros. As portas não precisam nem de estar escancaradas, nem de estar completamente fechadas. Há que aprender a entre-abrir, espreitar para fora, deixar espreitar para dentro, para fechar sem grande estrondo se necessária a protecção, mas para se poder abrir de facto com a tal sensação de “segurança sem limites”, que só vai surgir quando a porta já se estiver a abrir…

  • John Doe

    Não te tiro razão princesa. Nadinha dela. Mas neste momento sou mais feliz assim. Neste momento prefiro a certeza à incerteza, a porta fechada à porta semi-aberta.

    E acredita, já abriste mais a minha porta hoje que muitas pessoas nos últimos tempos…

  • Princesa (des)encantada

    Não te recrimino pela escolha do seguro – o instinto de sobrevivência é o mais primário que temos. Mas sobreviver é apenas existir. Não é “viver”.
    Fico contente se se abriu um bocadinho a tua porta – e sem cicatrizes. 🙂

  • John Doe

    Para já sem cicatrizes Princesa…

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