Monthly Archives: Maio 2009

De joelho em terra e de mãos ao céu,

.. rogo-te meu Criador.

Traz de volta o frio.

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Eles…

(continuação)

E dias se passaram nesse jogo de volúpias, de encontros e desencontros, de visões fugazes em que o desejo em crescendo fazia revolver em vertigem o ser de cada um. Houve momentos em que olhares se cruzaram, sedentos da ternura emergente, em que a distância de uma rua nada era em comparação com o alicerçar da cumplicidade notória.

E chega o dia em que ela sobe, no velho hábito do dia, e um perfume estranho a invade. Sente o calafrio que anuncia a surpresa de algo maior, percorre-a de ponta a ponta, elevando cada cabelo da sua nuca. O frenesim que toma conta da sua pele, que nasce no seu baixo ventre e se espalha quase miraculosamente pelas coxas e pela barriga até ao peito. Sabe-lhe a boca à adrenalina, seca-se na expectativa do que não conhece. Aquele perfume, aquele aroma só pode ser dele. Sabe-o no seu íntimo, que vibra no sentimento. E a razão que lhe desce e refreia os ímpetos. Como poderia? Não pode. Não deve. E chega ao patamar que conhece tão bem como a palma da sua mão, antecâmara do seu santuário. Seu e de mais ninguém. Homens o tinham cruzado sem que por isso o tenham violado, o seu lugar mais recôndito e secreto, o seu refúgio, a sua ilha deserta.

E sim, era ele. De gravata deslaçada e barba de três dias. Era mesmo ele que encostado à sua porta pedia de olhos suplicantes que o deixasse entrar no que era mais seu. A surpresa que lhe abre a boca, que a faz estacar vendo o seu reflexo nos olhos que a miram. E um sorriso que nele nasce quando se lança para a frente em passo lento, de mãos nos bolsos, qual felino em momento de caça. Sabe que não lhe dá reacção, sabe que ela o espera ali, perdida do mundo dos mortais. E fâ-la sentir o gosto da sua boca na dela, em beijo que a faz levitar de uma forma que desconhece. Ela sente-lhe os dedos que a agarram, sente a mão que lhe desliza pela costas e não a deixa cair a seus pés. Fecha os olhos e deixa-se levar na louca fantasia do ser que a aperta. Sente o calor da língua que deixa entrar em si, nas busca do seu sabor até que o vazio se apodera e a custo reabre os olhos ao mundo. Ele abre-lhe o caminho até à sua porta, deixa-a passar como que dando autorização a entrar no que é seu. Os olhos que se voltam para trás, por cima do ombro, enquanto a chave roda, talvez com som que já não se ouve nada. Entra no seu mundo que não reconhece. Aquele cheiro que sente não é de sua casa. Leva os dedos ao nariz e aspira o perfume dele. É aquele cheiro que a impede de reconhecer o seu próprio lar, que a invade, que a viola no que é mais de si. Volta-se a ele, com os olhos suplicantes de mais, brilhantes do desejo que a devora desde o seu interior. Volta-se e nada vê.

Uma lágrima, prontamente limpa, inicia a descida pela face sedosa. Lágrima de raiva, lágrima de saudade.

Corre à janela para o ver atravessar a rua.

(continua)


Eles…

Há uma semana que o pensamento era imensas vezes ocupado pela figura magnetizante do homem presente do outro lado da rua. Via-o de relance todos os dias, em voyerismo alucinante, sem saber quem era ou o que fazia.Sentia a necessidade inexplicável de saber como era a sua voz, o seu aroma, de saber quem era e porque o era. O magnetismo que aquela figura lhe pregava roçava o imbecil, levando-a ao esforço herculeo de afastar as ideias daquele fascínio.

Era uma manhã como tantas outras, o mesmo iogurte de frutos silvestres, a mesma torrada com a mesma proporção de manteiga. O gesto mecânico de calçar os sapatos, os mesmos sons de chave, porta, chave, elevador, porta, sempre o mesmo passo acelerado para chegar à rua, ao carro. O olhar nervoso ao relógio para verificar que mais uma vez estava atrasada. Abre o carro e lança a carteira ao lugar ao lado, sentando-se quase com violência ao volante ao mesmo tempo que a chave na ignição e o carro dá o arranque.

Imóvel, olha para a sua frente como que petrificada. Preso no vidro um papel com letras negras escritas. “Olá!”. Depois de cinco minutos especada a olhar para aquela folha de papel, retirou-a e colocou-a no banco do lado.

O caminho para o emprego foi feito com a cabeça em rodopios, e o dia não foi melhor. Dobrou e desdobrou o papel até quase o rasgar, desejando o fim do dia, a sua janela a varanda dele. A volúpia que se foi apoderando do seu ser conforme as horas foram passando, desejos quase inconfessáveis que ele lá estivesse, naquele momento de ambos.

O fim da tarde chegou e a ânsia de chegar transformou a distância num suplício difícil de suportar. Os movimentos tão habituais foram feitos sem se dar por isso, voa pelo caminho, o elevador parece pesado e não anda. Chega, corre à janela, olha a varanda dele. O coração quase que salta pela boca quando o vê, na calma de fumar o seu cigarro. Sente a onda que se apodera do corpo, que a faz encostar ao vidro, de mãos espalmadas, vendo-lhe o sorriso travesso que lhe pinta a face, enquanto puxa mais um travo ao cigarro quase no fim.

Ele olha-a, ao longe, descobre-lhe a figura a custo pelo reflexo do fim do dia, vê-a quase espalmada, como que se quisesse voar até ele. Sorri-lhe e vê que lhe corresponde, num sorriso luminoso e nervoso. Fuma pacientemente o cigarro que chega ao fim, enquanto o gato reclama que está na sua hora de comer. Senta-se no chão, com o gato subindo ao seu colo, encosta-se na parede de olhar fixo, vendo-a. Recolhe-se de seguida com ela ainda encostada à janela.

O resto da tarde e o princípio da noite foram passados em sobressalto, com idas e vindas ao vidro que lhe dá ao mundo. Espera vê-lo mais uma vez, precisa de o sentir ali, mesmo que não saiba o porquê dessa necessidade.

(Continua)


Como é que é possível?

Como é que é possível que haja pessoas com responsabilidades de formação de jovens que nem um email sejam capaz de escrever em condições?

Como é que alguém, supostamente instruído, é capaz de não usar maiúsculas no início de uma frase, muito menos na escrita do seu próprio nome?

Como é que é possível que em 5 linhas seja capaz de dar cinco erros ortográficos de palmatória e utilizar três “k’s” em vez da palavra “que”?

Como é que é possível que as pessoas aprendam se quem ensina pouco sabe?

Expliquem-me por favor. Eu não consigo entender…


Lilás

Lilás


Desabrochar

Desabrochar


Branco Alvo

Pureza