Olha…
Olha para o infinito do oceano e vê.

Vê as mil cores quentes que se espalham na imensidão do sol que se esconde lá ao fundo. Vê as nuvens que deslizam ao sabor da brisa que aqui não passa. Vê as gaivotas que tornam a terra sem ser sinal de tempestade. Vê como tudo se conjuga no universo pequenino em que vives.

Olha a areia doirada em que enterras os pés, fria já que o sol já não aquece. Olha as pegadas que aqui deixaram. Têm uma histórias sabias?

Aqui uma criança, de passos curtos e pés pequenos. Ali um adulto, em passo de corrida. Olha, também aqui estão as tuas pegadas, com a tua história.

Agora entendes como me está o coração. Tem pegadas também e cada uma com sua história. Há as marcas de quem passou como uma brisa, de quem me espezinhou até mais não querer, as que passaram em passo curto ou em corrida ou ainda de quem mais não fez que simplesmente passar.

E também cá estão as tuas, que vais deixando.

E cada sorriso teu é mais uma pegada que nele fica.

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14 responses to “

  • Princesa (des)encantada

    Belíssimo texto, lindíssima forma de traduzir uma coisa tão simples e tão complexa. Ainda bem que há sorrisos a deixar-te pegadas.

  • John Doe

    Sim Princesa, há sorrisos que vão deixando pegadas cá dentro, que é onde importa.

    Obrigado

  • São

    Um belo texto, um fim de tarde, o por do sol, o mar e um sorriso 🙂

    Deixamos sempre marcas em quem se cruza nas nossas vidas, umas muito, muito leves que mal se notam, outras mais profundas, podem ser positivas ou negativas.

    Há um filme antigo, que passava sempre por altura do Natal “Do céu caiu uma estrela” em que o protagonista é levado por um anjo a ver como seria a vida das pessoas que ele conhece, se ele não tivesse existido.

    Eu bem que gostaria, tal como o protagonista desse filme, de saber como seria a vida das pessoas com quem me cruzo ou cruzei se eu nunca me tivesse cruzado com elas.

  • John Doe

    Relativamente à tua última afirmação, a única certeza que te posso dar é que seria incompleta com toda a certeza.

    Obrigado

  • Just me

    Adorei…….

    Há sempre alguém que deixa a sua pegada na nossa vida, uns que nos fizeram bem, os que nos fizeram mal….. Nem sei se posso dizer isto assim… Os que me fizeram mal, ensinaram-me o caminho por onde não quero ir…. Às tantas, sem querer acabaram por fazer de mim o que sou…

    Não sei por onde vou, não sei para onde vou, só sei que não vou por aí!!!!!!

    Espero deixar nos outros a pegada boa……..

    Adorei, um dia também vou escrever assim! LOL!!!!!!

  • John Doe

    É mesmo dessas pegadas que falo.

    Quanto ao escrever, não gozes sim?

  • Anónimo

    Os comentários anteriores já disseram tudo mas só quero acrescentar que quando escreves, parece que escreves para cada um/a de nós…

    É bom ler-te, obrigada

    Anya

  • John Doe

    Porque cada um(a) de de vocês me deixa um pegada…

    Obrigado eu Anya.

  • Just me

    Eu não estava a gozar!

    Até parece que eu gozo com alguém…..

  • John Doe

    Há pois não… Quem te ouvir até pensa que é verdade…

  • São

    Incompleta não diria, diferente talvez.
    Obrigada, por permitires-me ao fim de um dia de trabalho vir aqui descansar os olhos em belas fotografias e ainda mais belas palavras.

  • John Doe

    Acredito que incompleta sim. Há sempre algo mais que dás de ti e que o outro nunca recebeu. E é essa parte que completa o todo que somos e que vivemos. Diferente de certeza, porque faltaria exactamente aquele pedaço que dás de ti aos outros.

  • São

    Reflecti na tua resposta e vendo por essa perspectiva, concordo, como seres únicos as marcas que deixamos nos outros por mais leves que sejam serão sempre diferentes das deixadas por outra pessoa. Somos como um puzzle continuamente inacabado as marcas que os outros vão deixando são como peças que se vão encaixando, fazendo parte de nós completando-nos.

  • John Doe

    É exactamente isso que penso. Se tivermos uma visão empírica verás que nada está completo e sempre em constante mutação pelos novos conhecimentos adquiridos. As pessoas são, como muito bem dizes, puzzles. Somos nós que vamos cuidando de colher do outro nós algo que nos complete e complemente. Cabe também a nós, o papel de saber o que colher. Há quem colha apenas o pior dos outros, outros o melhor. Talvez daí venha o ditado “junta-te ao bons e serás como eles, junta-te aos maus e serás pior que eles”.

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