Monthly Archives: Junho 2009

Eles…

Aquele convite foi inesperado.

Tinha chegado a casa, despido cada peça de roupa levando-a ao nariz, cheirando cada uma ainda impregnada pelo perfume dele, deixando que os apeteceres avassaladores lhe tomassem conta de cada pedaço da sua mente. “Estranho…” pensava, “Estranho como me faz querer mais“. Deixou as roupas espalhadas em cima da cama e colocou a água a correr. O sentir de mil agulhas na sua pele rapidamente se transformou na lembrança dos dedos que a percorreram descobrindo cada pedaço de si, na lembrança da envolvência que sentia quase como que sobrenatural.

Pingando o chão, caminhara até ao seu quarto e deixando-se cair na cama macia com a pele secar à velocidade do ar, sentindo os últimos raios do dia aquecerem-lhe o corpo outrora beijado e acariciado, descoberto e aninhado. Sorria de olhos fechados, visionando o filme recente de tudo o quanto se passara. Deitou-se de lado, apertou os joelhos entre os braços e deixou-se estar mais um pouco. O cabelo molhado colava-se ao corpo, deixando pequenas gotas escorrerem pelas costas despidas, causando um arrepio familiar. Sentira-se na calmaria de ter sido apreciada de forma completa, de ter sido amada por um estranho. Seria possível ser amada assim? Seria isso amor? Seria apenas um gosto furtivo de um prazer carnal, que era imenso sem qualquer dúvida?

Estava embrenhada nestas estranhas formas do pensar quando foi acordada pela campainha. Aquele “volta” dito assim, a seco soube-lhe como mel quando chega à boca, naquela sensação doce e grossa, quase que se trinca, faz salivar e arrepiar os cabelos da nuca.

Corria agora a vestir-se de qualquer forma, calçava-se em andamento, não se preocupando se as calças brancas combinavam com os sapatos vermelhos e a blusa negra. Só quando chegou ao elevador e se olhou ao espelho é que reparou que nem o cabelo tinha acabado de secar e ainda se colava à testa. Não. Não podia surgir-lhe assim. Encostou-se o mais que pode à lateral do elevador e quando ele chegou ao rés-do-chão deixou as portas abrirem e fecharem-se novamente e voltou ao apartamento. Numa corrida secou o cabelo, trocou de roupa por uns simples jeans, uma camisa branca e as botas castanhas calçadas em andamento, novamente. Desceu e gostou mais do que viu ao espelho.

Quando ela chegou junto dele, a porta do carro já se encontrava aberta. Ele, junto do carro, esperava-a convidando-a a entrar com um aceno de mão. A cara dela estranhou levando-a a estacar no meio do passeio.

– Entra. Não tenhas medo.

Os olhos deles transmitiam um misto de timidez do pedido e solidez de voz, levando-a a confiar. Sentou-se e veio-lhe o perfume já conhecido às narinas, levando-a a recostar-se no banco.

-Onde vamos? perguntou-lhe quando entrou

– Fugir por dois dias.

– Estás a brincar? pergunta-lhe ela

-Não. – disse-lhe ele olhando-a no profundo dos seus olhos.

Arrancou e conduzio pelos labirintos citadinos.

-Dizes-me onde?

-Posso tentar supreender-te?

-Podes. -Diz-lhe ela.

Rapidamente chega à autoestrada em direcção a norte. Ela, recostada no banco, puxa as pernas para cima e fica-se a olhar para ele enquanto conduz. Vê-lhe os olhos por detrás os óculos escuros, os braços fortes que agarram o volante, como morde o dedo distraidamente de cotovelo poisado na porta. Sente-lhe a mão que lhe afaga o joelho, o sorriso que lhe lança enquanto conduz. Não há palavras que os olhos não digam. Não há necessidade de verbalizar mais.

-Mas… -lembra-se ela.

-Mas?

-Eu não trouxe mais roupa que esta…

Ele dá uma gargalhada sonora e responde-lhe.

-Não te preocupes com isso.

Aquela voz a dizer aquela palavras tiveram o condão estranho de a tranquilizar. Normalmente teria ficado possessa, mas ali não. Com ele não. Sentia que ele comandava e que sabia perfeitamente como o fazer.

A viagem foi relativamente rápida. Tinham saído da autoestrada, passado por uma pequena povação e chegavam a uma casa, que não era mais que uma cabana, perdida no meio da serra com um pequeno riacho passando perto. Não se via, mas o som era distinto. A noite já tinha caído.

– Vai. Conhece a casa enquanto vou buscar umas coisas ao carro.

O som de entrar em casa, com os tacões das botas batendo no soalho de madeira ecoavam pela casa fora, despida como a casa dele, pequena, apenas com umas quatro divisões. Voltou à sala quando ele estava a entrar novamente. Numa mão uma mala de roupa que puxava como troley e na outra uma caixa castanha, como se fosse de arquivo. Deixou a mala junto ao sofá antigo de pele castanha e poisou sobre a mesa de centro em frente deste a caixa castanha.

-Vem. Senta-te. – disse-lhe.

Ela chegou-se junto da mesa e sentou-se no chão, de pernas traçadas debaixo de si, com os cotovelos os joelhos e o queixo poisado nos dedos entrelaçados. Olhou-o nos olhos e compreendeu um brilho maior, de uma mistura de calor, dor, paixão, amor e tantas outras coisas que não conseguia explicar.

Ele poisou a mão sobre a caixa e começou.

-Sabes, tudo isto é repentino, sabe-lo tão bem quanto eu. Normalmente não sou assim, não acontece isto tudo tão repentino. E percebo que te assustes. Aliás, nem sei bem como aceitaste em vir para aqui. Mas vieste e agradeço-te por isso.

A boca dela abriu-se para falar mas ele, quase de um salto, chegou-se a ela, beijou-a nos lábios e disse:

-Não fales ainda.

Sentou-se na beira dela e continuou.

– Acho que mereces saber que sou. Acho que mereces descobrir-me. E mereces, não só pelo que já aconteceu, mas também por tudo aquilo que ainda virá a acontecer. O que é não sei, mas sinto que mais e melhor virá. Sinto eu necessidade de te conhecer mais, de te viver mais. É estranho sentir isso. Poucas vezes senti essa urgência de sentir e de ter alguém. Mas sinto por ti desde que te comecei a ver àquela janela.

Puxou a caixa para junto deles e continuou.

– O que aqui está dentro são pedaços de mim. É a minha vida em determinados momentos. E trouxe-te aqui para o partilhar contigo.

Ela olhou-o surpreso sem conseguir articular palavra.

-Aceitas que partilhe contigo?

– Aceito- diz-lhe ela.

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Lady


Há dias em que apetece…

… pegar em ti e soltar-me. Deixar correr na mansidão do que me fazes ser, deixa-me ir num Bolero de Ravel ou num Tango de Piazolla, deixar-me ir nos teus braços que me conduzem. Ver o raiar do dia na paz de ser homem ao lado de ti mulher, de ver como as cores se reflectem nos teus olhos, sentir o teu sopro de brisa matinal, sentir-te a pele como mármore fresco, o arrepio que o meu toque te causa.

Vem, deixa-me segurar-te, deixa-me sentir a tua respiração na minha face, deixa-me sentir-te a ti, mulher. Vem, limpa-me a lágrima que teima em sair, lágrima de saudade, de paixão, de vontades inconfessáveis. Vem, dá-me a honra de te ter no meu ombro, de te ouvir e de te ver. Deixa-me afastar-te o cabelo da fronte, deixa-me beijar-te nos olhos como me fazes a mim, deixa-me abraçar-te com os meus grandes e rudes braços, mas que sabem sentir. Deixa-me murmurar-te o quanto te quero, sibilando ao ouvido para que o sonho não se desvaneça no ar. És sonho que me habita, aguarela que pinto, frase que escrevo. És música que imagino, acordes de sinfonia maior, asas do meu voar. És o meu sexto elemento e a minha vertigem, sonho e realidade.

Há dias em que apetece…



The Host Of Seraphim


Oiro

Oiro

Volta.

Fica.

Sente-me no mais que sou.

Praia amarelo oiro, pó de perlim-pim-pim, magia que se sente, fotograma que não se esquece.


Ele…

Quando a sua porta se fechou atrás dela, deixou-se escorregar pela parede até sentir o frio do chão. Agarrou-se aos joelhos e de cabeça entre eles, procurava as palavras certas para descrever todo um vendaval de emoções que lhe afloraram nos últimos momentos. O gosto e o toque dela perpetuavam-se numa dimensão diferente do que já alguma vez tinha sentido. Descobrira-a bela, terna, delicadamente suave, de aromas inebriantes e doces. Desenhava no ar a sua figura em dedos sentindo ainda o contacto, deixava que o paladar que lhe invadisse novamente a boca fechando os olhos e vendo as imagens cadenciadas que em flash lhe invadiam a mente.

Despido ainda, deita-se no chão, enrola-se em si qual feto em ventre fecundado, sente os pulsos nos ossos da sua cara e ainda o cheiro que lhe está impregnado na pele. Sente o frio do chão sem o sentir, sabe que precisa de se levantar e não consegue, o corpo está pesado, inerte, subjugado ao imenso que ela consegue ser.

A custo levanta-se e segue até à janela, olhando o outro lado da rua. Depois de tão preenchido sente o vazio imenso do imediato, esse vazio que o pesa, o deixa sem fôlego, quase abandonado numa saudade imensa que sente. Dor lancinante no peito resultante da ausência corporal e uma presença espiritual acicatada pela fragrância que ainda corre pelo ar, que está colada a si mesmo como lapa em pedra. Instintivamente cheira-se, as suas mãos, os seus braços, agoniza no sentir-se arrancado a algo maior. Fuma o cigarro lento, tentando abstrair-se de todos os outros aromas, mas ainda o toque, sempre o toque, como pele ainda na ponta dos dedos, recordações dos roçares de lábios pelo outro que é também ele.

Um brilho estranho passa-lhe pelos olhos, de recordações, de vontades, de mais querer. Em corrida banha-se e veste-se. Corre como sedento para oásis, para que a miragem não fuja, para ter a certeza que há realidade em tudo aquilo. Corre pela casa, apanha o que pode, abre o armário, olha a caixa, pega-lhe com carinho e sai.

Atravessa a rua correndo ainda, como se não houvesse amanhã e carrega na campainha. Do outro lado a voz familiar que lhe diz “sim”.

-Volta – diz-lhe.


Sem palavras

Abraça-me e aperta-me enquanto deslizo pelo teu peito como gata.

Aperto-te entre os meus braços fortes, faço-te encostar o ouvido ao meu peito. Sente. Ouve. Repara como a máquina da vida bate contigo. Coloca a tua mão no peito, sente-o vibrar na ponta dos teus dedos, desenha-o na minha pele. Abraço-te como se não pudesse haver amanhã. Tenho sede de ti. Tenho sede da tua boca que me arrepia o corpo. Tenho saudade de sentir o teu perfume adormecer-me na noite que começa, de o sentir subir pelo peito com o calor, qual chaminé doce que canaliza todo o teu inebriante aroma até mim.

Giro sobre ti, deixo as minhas costas coladas, sinto-te húmido e quente e viril, cheiras a terra, sinto-te sorrir, quando me seguras as ancas e me forças a procurar-te e eu não vou. Mas, desço e devoro-te, num demorado, intenso, muito molhado jogo de língua roçando o céu da minha boca, também este com as duas mãos…. Como um beijo deve ser…

Sinto-te descer. Sinto-te devorar. Olho-te, sorrio-te. Puxo-te a mim, mais, sempre mais. Quero a tua boca na minha. Quero sentir o gosto da tua saliva. Senti-la escorrer para a minha boca. Quero sentir a tua língua que se enlaça na minha. Quero despir-te devagar, ouvindo o doce roçar das roupas pela tua pele, ouvir bater no chão. Quero ajoelhar-me a teus pés e descalçar-te. Morder por cima do pano que te cobre na intimidade. Sentir o calor que emana de dentro de ti. Quero-te de pé parar beber da tua fonte. Quero perscrutar o teu interior, sentir a sua maciez, a sua candura na ponta da minha língua. Sentir a tua humidade que me enche a boca de sabor forte e doce. Engolir-te no que é mais teu.

Não pares… Faz-me cegar.

Deito-te docemente no teu vale de lençóis. Cubro-te o corpo com o meu. Em pequenos e doces toques de lábios desço da tua boca, pelo teu peito, que rodeio em doce cadência. Sugo-o com os lábios fechados. Desço pela barriga, paro no umbigo, enquanto as minhas mãos te afastam as coxas. Desço até chegar ao teu ponto íntimo. Sinto-lhe o aroma. Sentes a minha respiração compassada. Sobem as mãos que delicadamente apertam o peito, o rolam entre os dedos. A língua que toca, em toque pequenos, a humidade que desponta de ti. Rodeio com a ponta de língua, em toque de cócegas. Sinto-te arquear, abrir. Penetro-te com a língua. Quero chegar ao fundo de ti. Lento, faço-me até onde não posso mais. Sinto-te na minha boca. É espesso, é delicioso. “Quero mais…” digo-te. E ofereces-te mais ainda. Sinto-te as mãos que no meu cabelo me puxam. Sinto que te invado por completo. Salivo-te em cada pedaço de pele. Sinto que me apertas com as coxas. Quero o meu prémio. Peço-te. Quero a tua explosão. Exijo-te. Quero sentir os teus espasmos electrizantes e sensuais nos meus lábio. Agarro-te as mãos, entrelaço-te os dedos. Quero. Agora…

Shhhhh…..fica.
Beija-me deixa-me saber a mim.

Sinto-te os espasmos. Subo até aos teus. Beijo-te. Toma-te. Gosto de te beijar assim, com o teu sabor. Vem. Deita-te no meu ombro. Aconchega-te a mim. Enlaça-me. Gosto de sentir o teu peito no meu.