Sem palavras

Abraça-me e aperta-me enquanto deslizo pelo teu peito como gata.

Aperto-te entre os meus braços fortes, faço-te encostar o ouvido ao meu peito. Sente. Ouve. Repara como a máquina da vida bate contigo. Coloca a tua mão no peito, sente-o vibrar na ponta dos teus dedos, desenha-o na minha pele. Abraço-te como se não pudesse haver amanhã. Tenho sede de ti. Tenho sede da tua boca que me arrepia o corpo. Tenho saudade de sentir o teu perfume adormecer-me na noite que começa, de o sentir subir pelo peito com o calor, qual chaminé doce que canaliza todo o teu inebriante aroma até mim.

Giro sobre ti, deixo as minhas costas coladas, sinto-te húmido e quente e viril, cheiras a terra, sinto-te sorrir, quando me seguras as ancas e me forças a procurar-te e eu não vou. Mas, desço e devoro-te, num demorado, intenso, muito molhado jogo de língua roçando o céu da minha boca, também este com as duas mãos…. Como um beijo deve ser…

Sinto-te descer. Sinto-te devorar. Olho-te, sorrio-te. Puxo-te a mim, mais, sempre mais. Quero a tua boca na minha. Quero sentir o gosto da tua saliva. Senti-la escorrer para a minha boca. Quero sentir a tua língua que se enlaça na minha. Quero despir-te devagar, ouvindo o doce roçar das roupas pela tua pele, ouvir bater no chão. Quero ajoelhar-me a teus pés e descalçar-te. Morder por cima do pano que te cobre na intimidade. Sentir o calor que emana de dentro de ti. Quero-te de pé parar beber da tua fonte. Quero perscrutar o teu interior, sentir a sua maciez, a sua candura na ponta da minha língua. Sentir a tua humidade que me enche a boca de sabor forte e doce. Engolir-te no que é mais teu.

Não pares… Faz-me cegar.

Deito-te docemente no teu vale de lençóis. Cubro-te o corpo com o meu. Em pequenos e doces toques de lábios desço da tua boca, pelo teu peito, que rodeio em doce cadência. Sugo-o com os lábios fechados. Desço pela barriga, paro no umbigo, enquanto as minhas mãos te afastam as coxas. Desço até chegar ao teu ponto íntimo. Sinto-lhe o aroma. Sentes a minha respiração compassada. Sobem as mãos que delicadamente apertam o peito, o rolam entre os dedos. A língua que toca, em toque pequenos, a humidade que desponta de ti. Rodeio com a ponta de língua, em toque de cócegas. Sinto-te arquear, abrir. Penetro-te com a língua. Quero chegar ao fundo de ti. Lento, faço-me até onde não posso mais. Sinto-te na minha boca. É espesso, é delicioso. “Quero mais…” digo-te. E ofereces-te mais ainda. Sinto-te as mãos que no meu cabelo me puxam. Sinto que te invado por completo. Salivo-te em cada pedaço de pele. Sinto que me apertas com as coxas. Quero o meu prémio. Peço-te. Quero a tua explosão. Exijo-te. Quero sentir os teus espasmos electrizantes e sensuais nos meus lábio. Agarro-te as mãos, entrelaço-te os dedos. Quero. Agora…

Shhhhh…..fica.
Beija-me deixa-me saber a mim.

Sinto-te os espasmos. Subo até aos teus. Beijo-te. Toma-te. Gosto de te beijar assim, com o teu sabor. Vem. Deita-te no meu ombro. Aconchega-te a mim. Enlaça-me. Gosto de sentir o teu peito no meu.

Anúncios

24 responses to “Sem palavras

  • Miquellina

    Ai que calor!!! Ai tanto calor!!!!

    Insuportavel este calor!!!!

  • John Doe

    eheheheheh….

    E de que maneira…

  • Luz

    Excelente!
    Envolvente, sensual, maduro. Descritivo q.b., sem ser vulgar (muito pelo contrário).

  • John Doe

    Era essa a intenção Luz. Não gosto da vulgaridade. Para vulgar já me chego eu.

  • Luz

    Desculpa lá, JD, mas quem escreve assim vulgar não é, certamente!

  • John Doe

    Não sou extraordinário. Como sempre disse, sou o mais comum dos mortais. Não há nada que não seja vulgar nisso.

  • Ventania

    Delicioso e deliciosamente bem escrito… 🙂

  • São

    Magnífica escolha a do título “Sem palavras,” para este excelente texto, quando há uma sintonia perfeita, uma tamanha envolvência e simultaneidade de sentidos e emoções, as palavras tornam-se desnecessárias.

    Li a pouco um poema de onde vou roubar um verso “Há palavras que acordam o fogo” é o caso destas “Sem palavras”.

  • John Doe

    Ventania:

    E acredita que foi delicioso de escrever.

  • John Doe

    São:

    Foi essa a ideia do título. Estive muito tempo de volta dele (o texto foi escrito primeiro) e achei-me sem palavras.

    Contrapondo ao teu verso diria que há palavras que são fogo…

    Obrigado

  • Sininho

    …Tem vida própria, não tem?

  • John Doe

    Tem uma vida e um sentir muito próprio. Tem algo de sublime na vertigem que causa. Tem o sabor de algo maior que não se sabe bem ainda o quê…

  • Sininho

    Sabe, sabe… sabe bem.

  • John Doe

    Sabe muito bem.

  • São

    Sim há palavras que são fogo, tal como ele são belas, aquecem, queimam e destroem.

  • John Doe

    O fogo nem sempre destrói. Se se usar com cuidado até pode é construir…

  • São

    Certo o fogo nem sempre destrói, pode até construir, assim como as palavras nem todas nos queimam, no sentido de que nos magoam, há também as que nos aquecem a alma, as que constroem.

  • John Doe

    E não são essas as mais saborosas? As que importam mais? As que nos dizem mais?

  • São

    Sim, são as que nos dizem mais, as que importam mais, as mais deliciosas, mas infelizmente também as mais raras.

  • John Doe

    Mas por tão raras são também as mais preciosas. Que seria dos diamantes se os encontrássemos aos pontapés? Como apreciaríamos a beleza de uma lapidação se tudo o fosse assim? Nem todos nós podemos ser diamantes. Mas quando os encontramos, devemos ter gozo em os lapidar até lhe encontrarmos o nosso reflexo. É aí que percebemos que entrámos dentro da pessoa. Mas não confundir reflexo com o ser à nossa imagem. O nosso reflexo é apenas algo nosso que entrou no outro.

  • São

    Gosto imenso do teu analogismo, eu sei que de tão raras são preciosas, e que só muito raramente e por puro acaso, ao olharmos com os olhos da alma, vemos um desses diamantes raros, que muito gostaríamos de lapidar até ver o nosso reflexo.
    Mas nem todos somos diamantes, e nem todos possuímos o talento necessário para lapidar um quando o encontramos.
    Qual o interesse de vermos a nossa imagem no outro o que interessa mesmo é chegar ao outro, entrar e ficar.
    A menos que sejamos narcisistas, não há maneira de confundir o nosso reflexo no outro, com o ser à nossa imagem, podemos encontrar pontos comuns, mas as pessoas são todas diferentes, únicas e por isso mesmo tão interessantes.

  • John Doe

    Ainda bem que percebeste o que eu queria dizer. Era isso mesmo que eu referia.

  • junior

    o calor q eles sent de amora a eles emsmo

  • Francisco

    Grato Junior

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: