Há dias em que apetece…

… pegar em ti e soltar-me. Deixar correr na mansidão do que me fazes ser, deixa-me ir num Bolero de Ravel ou num Tango de Piazolla, deixar-me ir nos teus braços que me conduzem. Ver o raiar do dia na paz de ser homem ao lado de ti mulher, de ver como as cores se reflectem nos teus olhos, sentir o teu sopro de brisa matinal, sentir-te a pele como mármore fresco, o arrepio que o meu toque te causa.

Vem, deixa-me segurar-te, deixa-me sentir a tua respiração na minha face, deixa-me sentir-te a ti, mulher. Vem, limpa-me a lágrima que teima em sair, lágrima de saudade, de paixão, de vontades inconfessáveis. Vem, dá-me a honra de te ter no meu ombro, de te ouvir e de te ver. Deixa-me afastar-te o cabelo da fronte, deixa-me beijar-te nos olhos como me fazes a mim, deixa-me abraçar-te com os meus grandes e rudes braços, mas que sabem sentir. Deixa-me murmurar-te o quanto te quero, sibilando ao ouvido para que o sonho não se desvaneça no ar. És sonho que me habita, aguarela que pinto, frase que escrevo. És música que imagino, acordes de sinfonia maior, asas do meu voar. És o meu sexto elemento e a minha vertigem, sonho e realidade.

Há dias em que apetece…


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16 responses to “Há dias em que apetece…

  • Miquellina

    Sentir poderoso…que nos deixa voluveis…pequeninos…a desejar ser e ter…

    (mania de emocionares a Mique…é que o meu pobre coração não consegue resistir aos sentimentos que os teus textos provocam, aos arrepios estéticos e por aí fora…hoje estou erudita!!!)

  • John Doe

    Tu ÉS erudita Mique… 🙂

  • Miquellina

    Mania de me chamar nomes!!!!!!!!! 🙂

  • John Doe

    Moi???? Nomes???? Nunca… 😀

  • Miquellina

    Tu não provoques a ira da Mique….

  • John Doe

    Nunca, jamais em tempo algum…

  • Miquellina

    Ah!!!

  • Anónimo

    ” É a labareda da seda sob os dedos transmitida ao corpo todo,
    seda extraída ao segredo – tocar e ser tocado,
    sentir em si a ligeireza do fogo, a profundeza,
    e estremecer, ficar em chaga;
    e com dedos e sedas manter às labaredas,
    entre terror e louvor, a comburente,
    combustível composição de tudo:
    ser queimado vivo,
    ser luminoso.”

    Herberto Helder

    Desculpa, até gostava de ser erudita mas como não sou, limito-me transcrever algo que tal como o que escreves é SUBLIME …

    Anya

  • John Doe

    Obrigado pela partilha Anya. Mas permite-me dizer que todos somos eruditos quando o queremos ser.

  • Sininho

    Cruzei-me contigo um dia, dobrei a esquina e li-te o fio até à meada. Demorei-me nas palavras. Sabes, têm temperatura, textura e odor. Levaste-me por aí, fumismei-as recriando os cenários que oferecias nítidos e que fiz meus para olhar de novo. Fiz-me homem ao sentir contigo o que escreveria pelos teus dedos, e mulher rendida ao vaso das letras que me apeteceu ser.

    Desafiaste-me num estranho boião de ensaio onde se experimentam desconhecidos, debutei aqui, foste meu anfitrião
    Hoje é dia de te celebrar, agradecer o quanto me tens dado, o que supera o estranho que és e o familiar que te tornaste.
    Por tudo, tens sido sublime para mim.

  • John Doe

    Li-te e reli-te vezes sem fim, admirando como me descobrias até à primeira palavra. Exercitei-me em conversas ricas, ternas e doces. Mas a celebração não é para mim, é para ti. Sim para ti, porque o recebeste, porque o tomaste como teu, porque soubeste entrar por esta casa dentro e trouxeste-lhe riqueza, sabedoria e candura. E essa factura não sei como pagar, que não seja continuando na escrita, no querer e no mostrar.

    E tu Sininho, por tudo isto e muito mais, tens sido grandiosa, não eu.

  • São

    “Apetece”, gosto bastante desta palavra, apetece vir aqui, voltar e ficar, ler e reler alguns destes textos. É bem verdade que não podemos fazer tudo o que nos apetece, mas há coisas que podemos, e a mim agora apetece-me ler um destes textos ao som do Bolero de Ravel.

  • John Doe

    Muito me elogias com tanto que dizes.

    Agradeço-te.

  • São

    Não agradeças, as minhas palavras são simples mas sinceras, gosto deste espaço é aprazível.

  • John Doe

    Gosto que o sintas assim.

    E agradeço sempre…

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