Monthly Archives: Julho 2009

Apetece-me ver o raiar do dia reflectido nos teus olhos…

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As cores da alma

Dias tristes, dias felizes, colorimos a alma na proporção do dia que vivemos, dias cinzas de tristeza, dias negros de dor, dias amarelos de alegria, dia vermelhos de calor, dias azuis de calma ou verdes de paz, dias lilás de amor, dias brancos de inocência, dias castanhos de realidade ou rosa de sonho. Pintamos o nosso dia conforme a nossa alma, pintamos a alma conforme os dias. Ligações estranhas e efectivas, indissociáveis.


Sentimentos

Há sentimentos que nos preenchem de uma forma tão grande e avassaladora que nos fazem tremer nos nossos próprios alicerces. Somos compelidos a sonhos belos, alucinantes, quadros ternos de cores suaves e melífluas, pinturas de cores quentes mas doces. Somos o que somos no tempo e no espaço, presos ou livres, com amarras ao cais, mas que podem ser cais de partida ou de chegada. Cordame grosso e pesado que nos faz ficar ou que nos deixa ir depois de largados do pilar de ferro ferrugento, corroído pelo ar e pelo sal. Há sentimentos que nos fazem querer partir a corrente da pesada âncora que nos fundeia. Há ventos que nos trazem notícias de outras paragens, de outros portos, que nos fazem queres ir por mar adentro rumo ao infinito do horizonte. E depois temos as ondas e os medos dos monstros marinhos que não controlamos.

Mas mesmo que fiquemos, há sal que se entranha na pele que nunca mais irá sair, há velas enfunadas mesmo que em navio parado, há sentimentos que não nos largam e que nós próprios queremos que não nos larguem.

A ti, meu vento, minha maresia, minha onda de loucura, meu pôr-do-sol morno. A ti minha brisa e meu respirar, minha água doce, meu batel salva-vidas. A ti te adoro. A ti te gosto. A ti te quero. A ti quererei sempre. A ti não te deixarei nunca.


Espelho

Espelho

 

Vi-te. Enquadrei-te.

Fotograma de espelho, espelho que te sou.

Beijo terno e eterno…


Saudades

Há momentos em que nos aparece um sentimento que não sabemos explicar. Aperta-nos o peito de uma forma que não conseguimos respirar, que nos deixa a boca seca, que nos faz suar as mãos. Sabemos que nos sobe pelas entranhas, que nos sufoca no desejo de estar, de sentir, de ser. Um suor frio que nos afronta a testa, uma dor nos rins como se estivessemos a carregar um peso, o estômago que não nos dá fome e a água que não nos apaga a sede. O coração que nos salta do peito, em cavalgada trôpega. Dobramo-nos sobre nós próprio, agarrados à barriga que dói, as lágrimas que nos caem sem ser de tristeza, caimos de joelhos ao chão que o querer nos tira as forças.

É assim que sinto as saudades. É assim que estou agora.


Chuvas

Hoje voltou o cheiro da terra molhada, o vento fresco na cara, o sentir a água que cai do céu bater na cara e no corpo. Hoje houve uma pequeno matar de saudades do inverno que tanto gosto.

Hoje, dia de arrasto, de cansaço, de tentativas, por vezes frustrantes, de não sucumbir ao sono molengo que se apoderava de cada parte de mim, o Inverno veio matar-me as saudades.

Deixei-me sentir a chuva e o vento, fechei os olhos e deixei que o aroma do sangue da terra me enchesse as narinas até não poder mais.

Será muito pedir mais?


Uma vez escrevi…

(No seguimento de um post anterior, deixo mais uma vez algo que escrevi há algum tempo atrás)

Meus queridos amigos,

Chegou a hora de dizer adeus. Chegou a minha hora de acabar com este sofrimento que me atormenta a vida. Chegou a hora de ser feliz e deixar tudo isto que me persegue há mais tempo que aquele que consigo recordar. Chegou a hora de terminar esta triste existência.

Do que vivi, houve tantas e tantas coisas que me arrependi, e outras tantas que faria de novo. Amei, como acho que nunca ninguém amou. Dei-me de corpo e alma, tentei ser amigo, tentei ser melhor com vocês e tenho a agradecer-vos por isso. Foram vocês que me fizeram adiar este momento até ao inevitável. Mas a altura chegou.  Cheguei ao momento em que ou era agora ou nunca mais. Escolhi o agora. Peço-vos que não se sintam tristes. Não valho a pena, não sou insubstituível. Talvez vos esteja a causar tristeza, mas como tudo na vida, também passará e daqui por alguns tempo, pura e simplesmente serei esquecido por vós. E não adianta abanarem a cabeça a dizerem que não, porque sabem que é verdade. As lembranças de mim, o tempo encarregará de as apagar, e se a dor surgir agora, depressa passará. Confio em vocês, para que tenham a força para que assim seja.

Foi tão bom ter-vos conhecido. Amei-vos com todas as minhas forças. Preencheram grande parte da minha vida, tornando momentos comuns em algo de estrondosamente belo. Escrevi com vocês e para vocês. Foram minhas musas durante tanto tempo. Mas conhecem-me suficientemente bem para saberem que não me chega. E hoje vou apenas pensar em mim. Vou pensar apenas e só em mim.

E por isto tudo, chegou o momento de vos dizer adeus.

Adeus meus amigos. São vocês o que levo deste mundo.

Cuidarei de fazer boa viagem