Lembranças

Beijo-te. Beijo-te na calma do fim de tarde. Sinto-te a boca e como ela me cobre por completo a minha. Sinto-te a pele que queima por debaixo desse manto fino de pano, barreira dos meus dedos. Sinto-te o coração que bate em compasso acelerado, em galopes coloridos de imaginaçãos sonhadas. Cria-se o sonho naquele momento. Naquele tempo tão único em que o mar se calou e o mundo se fechou. Sinto-te como te entregas nos “ais” suspirados que saem por entre os dentes directamente para dentro de mim. Sinto-te como o quadris se avançam quando te pucho a mim, para junto a mim, com a mãos grandes que te seguram e não largam. Presinto que me viste no olhar o quanto o queria, o quanto desejei que poisasses os lábios nos meus. E tiraste-me as palavras com o teu beijo, deixaste-me afónico, ileterado. Porque há coisas que a boca não é capaz de articular.

Sinto-te os dedos que me comprimem as faces, fazendo-me fechar os olhos e apenas sentir. Sinto-te o corpo que pede mais. Sentes o meu que te pede o mesmo. Sinto o arrepio que me percorre a pele, levantado cada prolongamento filiforme numa correria eléctrica por cada parte de mim. Sinto-te o gosto que me invade na suavidade do sentir. Sinto-te…

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