Uma vez escrevi…

(No seguimento de um post anterior, deixo mais uma vez algo que escrevi há algum tempo atrás)

Meus queridos amigos,

Chegou a hora de dizer adeus. Chegou a minha hora de acabar com este sofrimento que me atormenta a vida. Chegou a hora de ser feliz e deixar tudo isto que me persegue há mais tempo que aquele que consigo recordar. Chegou a hora de terminar esta triste existência.

Do que vivi, houve tantas e tantas coisas que me arrependi, e outras tantas que faria de novo. Amei, como acho que nunca ninguém amou. Dei-me de corpo e alma, tentei ser amigo, tentei ser melhor com vocês e tenho a agradecer-vos por isso. Foram vocês que me fizeram adiar este momento até ao inevitável. Mas a altura chegou.  Cheguei ao momento em que ou era agora ou nunca mais. Escolhi o agora. Peço-vos que não se sintam tristes. Não valho a pena, não sou insubstituível. Talvez vos esteja a causar tristeza, mas como tudo na vida, também passará e daqui por alguns tempo, pura e simplesmente serei esquecido por vós. E não adianta abanarem a cabeça a dizerem que não, porque sabem que é verdade. As lembranças de mim, o tempo encarregará de as apagar, e se a dor surgir agora, depressa passará. Confio em vocês, para que tenham a força para que assim seja.

Foi tão bom ter-vos conhecido. Amei-vos com todas as minhas forças. Preencheram grande parte da minha vida, tornando momentos comuns em algo de estrondosamente belo. Escrevi com vocês e para vocês. Foram minhas musas durante tanto tempo. Mas conhecem-me suficientemente bem para saberem que não me chega. E hoje vou apenas pensar em mim. Vou pensar apenas e só em mim.

E por isto tudo, chegou o momento de vos dizer adeus.

Adeus meus amigos. São vocês o que levo deste mundo.

Cuidarei de fazer boa viagem

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16 responses to “Uma vez escrevi…

  • Anónimo

    Escritos que espero façam parte do passado e sirvam para veres com clareza o que tens de bom no presente …

    Anya

  • John Doe

    Hoje passei-os para o passado. Hoje exorcisei este fantasma.

  • Anónimo

    Não costumo ser muito efusiva aqui …

    Mas tenho que dizer a primeira coisa que me veio à cabeça :

    YUPIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

    (vou gravar o teu anterior comentário )

    Até mereces um beijo 🙂

    Anya

  • Princesa Canela

    Obrigada. Por teres ficado a fazer parte de momentos “estrondosamente belos”. =*

  • John Doe

    Obrigado eu princesa…

  • São

    Que tenhas escrito esta carta não me admira e entendo principalmente a frase “Mas conhecem-me suficiente bem para saberem que não me chega” valorizamos pouco o que temos, perante a enormidade da morte é tudo tão pequeno tão insignificante, mas não deixa de me chocar tanto mais, que estou de luto, faleceu-me recentemente um familiar de quem gostava/gosto muito.
    O suicídio é de um egoísmo atroz as pessoas só pensam em pôr fim ao seu sofrimento e não querem saber no que vão causar nos outros.
    A última vez que estive no hospital com esse meu familiar, estava lá uma moça que tinha tentado suicidar-se, a enfermeira comentou que tinha sido por causa do marido e que tinha um filho pequeno, como é que alguém com filhos pode pensar primeiro em si e não pensar primeiro nos filhos.
    Comentei há tempos num blogue acerca do suicídio, eu achava era um acto de cobardia, em resposta disse-me que além de ser um acto de cobardia pelo sofrimento que se causa nos outros, não deixa de ser um acto de coragem dispor da própria vida, dei-lhe razão em parte, pois realmente é preciso coragem para se dispor assim da própria vida, mas é preciso mais coragem para enfrenta-la com todas as adversidades que por vezes tem, mas a vida pode ser muito boa, não podemos esquecer os momentos bons, há muitos anos que não me sentia, tão em baixo como me sinto, não me apetece fazer nem algumas das coisas que mais gosto, como ler e ouvir música, mas sei que esta tristeza se vai atenuar, que para além do preto existem mais cores, penso que é isso que devemos ter sempre em mente, não te esqueças de como te sentes agora.

  • John Doe

    Não nego que a própria morte é uma acto de egoismo. É de facto. No entanto, a coragem poderá não ser a do dispor da própria vida, mas o facto de por uma vez na vida alguém ter a coragem de ser egoista. É que sabes, para algumas pessoas é preciso coragem para ser egoista, é preciso algo mais para se poder convencer que pode, por um momento, pensar apenas em si e na sua vontade. Pergunto eu qual a pior forma de egoismo. A morte própria ou aquela que não deixa os outros terem uma vida própria, reclamando a si toda a atenção. Será mais cobardia não pensar nos sentimentos dos que nos rodeiam em morte ou em vida? Sei que me dirás que ambas são más. Eu respondo-te que ambas existem no mundo. E se pensares bem, normalmente, ambos estes egoismos estão ligado, um em resposta ao outro.

    Se a morte é uma resposta? É-o sempre…

  • São

    Reflecti sobre o que dizes na tua resposta, e lembrei-me de Ramon San Pedro um tetraplégico Espanhol que lutou anos para por fim à própria vida.

    Sei bem, que há pessoas que necessitam uma elevada dose de coragem para serem egoístas, e de vez em quando pensarem primeiro em si, enquanto outras são de um tremendo egoísmo, pensam sempre primeiro nelas, como em tudo, tem que se saber dosear.

    É egoísmo a morte própria, é egoísmo prender os outros à vida quando não é o seu desejo, é egoísmo não deixar os outros terem vida própria, todas as formas de egoísmo são más, mas penso que é menos mau, quando se deixa aos outros uma opção, e a morte é definitiva, não deixa qualquer opção.
    “Será mais cobardia não pensar nos sentimentos dos que nos rodeiam em morte ou em vida?”
    Há sempre dois pontos de vista, o de quem tira a própria vida, e o dos que rodeiam e amam essa pessoa, temos que tentar ver os dois lados.
    E nem sempre o que pensamos que é melhor para os outros o é de facto.

    Sim a morte é uma resposta, mas raríssimas vezes a resposta certa, é uma resposta definitiva que deixa muitas interrogações, que não permite argumentação, contestação.

  • John Doe

    Pego na tua última frase. A morte é uma resposta mas raríssimas vezes a certa. E tenho que fazer a pergunta. É a resposta errada para quem? Para quem fica, certo? E por onde fica o pensamento de quem a escolhe? Porque apenas tem que ser uma resposta para quem fica? Não terão essas interrogações que ficam respostas quem pura e simplesmente não querem saber? Porque ninguém opta pela própria morte sem ir deixando sinais. Alguns mais compreensíveis que outros, reconheço. Mas na maioria das vezes não há interrogações. Há respostas que não se querem saber…

  • São

    Não é apenas uma resposta para quem fica.
    É seguramente a resposta errada para quem fica, para quem parte até acredito que naquele momento é provavelmente a única reposta certa que encontra; Mas será mesmo certa? Quantas pessoas pensaram, e tentaram a própria morte, e, são hoje pessoas relativamente felizes, pelo menos para essas a concretizar-se seria a resposta errada, mas é a última resposta e é esse carácter definitivo o que a torna errada.

    Concordo que ninguém opta pela própria morte sem ir deixando sinais, nem sempre perceptíveis, depende muito da sensibilidade daqueles que o rodeiam, parece-me que este processo de se desistir do próprio é solitário e silencioso, depois há pessoas que disfarçam muito bem, não querendo mostrar quão frágeis estão, não pedem ajuda, e mesmo quando alguém se apercebe, não se deixam ajudar, se calhar pensam que os outros não os entenderão.

    Penso que as interrogações ficam sempre, mesmo que se pense saber as respostas, não se tem, e provavelmente às vezes, também não se quer ter certezas.

  • John Doe

    Volto ao mesmo São. Se alguém que procura a sua morte não consegue e no futuro é feliz não me diz que a resposta era errada no momento. POrque temos que ver o momento, o segundo, o nanosegundo em que a morte é pensada. Naquele momento é a sua resposta. Naquele momento é o seu querer. Não considero isso uma resposta errada. Quantas vezes já nos aconteceu, em situações menos definitivas e terminais, pensar num futuro que a escolha que naquela hora era acertada afinal estava errada? E por pensarmos isso não quer dizer que fosse efectivamente errada. Porque a análise é sempre condicionada por eventos, resultados de outras escolhas, que se desenvolveram depois do momento preciso em que uma decisão era necessária. A ciência de saber a resposta adequada no momento em que necessitamos dela é difícil. Mais fácil é julgar algo depois. Quantas vezes dizemos em tom de brincadeira, ou não, “quem me dera nascer hoje a saber tudo o que sei…”?

    E ninguém gosta de se mostrar frágil. Ninguém gosta de mostrar aquilo que faz tremer por dentro. E sabemos que muitos não entenderão mesmo, não tanto pela complexidade mas mais pelo dispêndio de forças e tempo necessários para a descoberta de uma pessoa. Cada vez mais as pessoas estão para se importunar menos com o seu próximo. Cada vez mais as pessoas olham para si primeiro que para os outros. E voltamos ao egoismo. E à necessidade de alguns serem egoistas pelo menos uma vez na vida.

    E eu digo-te sinceramente. Eu quero sempre a certeza. Lá vai tempo em que os “e ses…” me ficavam a martelar na cabeça qual martelo pneumático. Já escrevi sobre isso no passado. Eu procuro sempre a certeza, por mais que isso me custe. Agir sobre essa certeza é que é uma coisa completamente diferente…

  • São

    Sim, eu sei, que quando tomamos uma decisão é com base nos dados que temos naquele momento. Naquela hora, aquela é a decisão que nos parece mais acertada, mesmo que depois se venha revelar não ser a mais certa, na hora era a certa, e é nessa hora que temos de decidir. Julgar depois é fácil. Até aqui estou de acordo contigo; Também concordo que as pessoas estão cada vez mais egoístas, não estão para se importunar com o próximo, mas também as pessoas estão cada vez mais desconfiadas, às vezes alguém interessa-se, desconfiam, pensam que querem alguma coisa, que esse interesse não pode ser desinteressado.
    Mas não posso concordar contigo e considerar como certa essa forma de se ser egoísta e desistir do próprio, e olha eu nem concordo com essa máxima que diz: que desistir é próprio dos fracos.
    Se uma vez na vida consegue arranjar coragem para ser egoísta e desistir a resposta certa é canalizar essa coragem, ser egoísta e lutar por si.
    Quem é que não quer ter certezas, sei que já falas-te dos ses, eu li e também concordo que é preferível uma certeza por mais que doa a uma incerteza, mas penso que o difícil mesmo é chegar a essas certezas.

  • John Doe

    Continuas a pensar que a morte é uma desistência. Eu continuo a pensar que a morte está muito longe de ser considerada uma desistência.

    As certezas são sempre difíceis. Quaisquer que elas sejam.

  • São

    Respeito a tua opinião. Parece-me que estamos a ver a morte própria sob perspectivas diferentes.
    Sim, as certezas são sempre difíceis mas vitais.

  • John Doe

    E eu respeito a tua. E é sempre bom discutir ideias diferentes…

    E não poderia concordar mais contigo sobre a necessidade da certeza, qualquer que ela seja.

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