Tu

Sabes, és mais que um sonho, és mais que um desejo, és mais que palavras escritas.

Sabes, fazes-me perder-me nas letras, nas frases. Não há construção frásica que resista ou paleta de cores completa. Nada há neste conhecido universo com que se consiga transpor e explicar o que és. Tudo fica insignificante, tudo fica aquém da tua definição. Poderia dizer que és bela, interessante, significativa, doce, eterna, encantadora, deslumbrante e juntar ainda mais 40.000 palavras de um dicionário de adjectivos felizes e ainda assim a justiça não seria feita.

A melhor definição de ti és tu, assim, completa.

É conhecer-te, deixar-me absorver por cada ínfimo de ti, cada gota do teu ser. É ouvir-te, ler-te, pintar-te, fotografar-te. É ser melhor contigo, é ser eu sem mais nada. É deixar que o mundo acabe, se feche e impluda. É deixar acabar o ar e a água e a luz e mesmo assim não lhe sentir a falta, porque és tudo isso e muito mais. És areia da praia, és água de mar, és luz prata de um lua encantadora, és estrela e cometa, és mundo e universo. És vácuo que me faz expirar, és oxigénio que me alimenta o ser.

És arte.

Não. És muito mais que arte.

És tu.

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70 responses to “Tu

  • Sininho

    Lindo. Luminoso.

  • John Doe

    Como quem o inspira.

  • Ana

    Estou estupefata com a beleza do teu texto. Proporcionaste-me um dos melhores momentos da minha existência.

    Um amor assim!

  • John Doe

    Obrigado Ana.

    Bem vinda…

  • d press

    Estou profundamente tocada. Os olhos humedeceram, quisera eu ser assim amada… Eu é que sou muito obrigada!

  • Ana

    Ups, estava com outra identidade 😀 lol, desculpa

  • John Doe

    Acredito que há sempre alguém que nos gosta desmedidamente. No entanto são precisos duas sortes. A de encontrar e a de ser o espaço e o momento. Nem sempre as sortes se conjugam. Mas a verdade é que há que aproveitar cada momento possível.

  • John Doe

    Não faz mal. Eu percebi.

  • Ana

    A sorte também se faz, conscientemente ou não. A sorte partilha-se e na entrega e na confiança encontram-se soluções.
    Há que aproveitar e criar momentos. Não é justo duas vidas não realizarem no plano físico o laço (e)terno que as une.

  • John Doe

    A sorte também se faz, que não tenhas qualquer dúvida sobre tal.
    Quanto à justiça, depende sempre do conceito de justiça e de quem se fala para se ser justo. E no mundo de hoje, há tantas injustiças…

  • Ana

    É verdade que o conceito de justiça é relativo mas se o amor for comum também será comum seu sentido de justiça. E nem comento a tua última frase…

  • John Doe

    Claro que é comum o sentido de justiça. Mas infelizmente o mundo não se resulme a apenas duas almas…

  • Ana

    Já pensaste no bem que pode gerar no universo o amor de duas almas?

  • John Doe

    Já. Claro que sim. Penso nisso todos os dias. E sabes o engraçado? É que faz bem mesmo.

  • Ana

    Eu sei. Não há maior poder do que o amor. O amor comunica sempre. Arranja sempree forma de o fazer, mesmo no silêncio. Principalmente no silêncio.

  • John Doe

    Gosto do silêncio. Adoro o silêncio.

    Mas igualmente adoro que este seja cortado pelas palavras certas.

  • Ana

    Eu também. Ainda que hoje em dia parece que cada vez gosto mais de ouvir do que de falar. Pelo menos com palavras, porque tenho outras formas de me expressar de que mais dificilmente abdico.

  • John Doe

    A comunicação pode ser feita de infinitas formas. E as palavras não precisam de ser sonorizadas…

  • Ana

    Pois pode. Mas talvez as palavras sejam sempre sonorizadas, sons de outras estirpes, captados por outros sentidos, como se o som fosse a emanação da qualidade de uma energia, de um ser, ou de uma ideia.

  • John Doe

    A palavra é sempre uma energia. A palavra pode ser dita pela ponta dos dedos…

  • Ana

    A palavra pode ser feita de puro silêncio e quando assim é, entranha-se pelos poros adentro, mistura-se na corrente sanguínea e vai ter ao coração, onde para sempre fará parte de quem somos.

  • John Doe

    Vivo com elas, como bem podes notar pelo conjunto de palavras aqui escritas.

  • Ana

    Sim, eu também, apesar de muitas vezes talvez não da melhor forma. Por vezes dou-lhes demasiada importância. Mas parece que também dou demasiada importância a outras coisas.

  • John Doe

    A ciência está em dosear…

  • Ana

    Nem sei que te diga, no que diz respeito à ciência e às doses.

  • John Doe

    Nada há a dizer. Todos nós temos de descobrir a nossa própria ciência das nossas próprias doses. Cada um de nós trilha um caminho em que deve calcorrear na atenção de não dar a mais nem a menos, não querer a mais nem a menos. Mas não há bitolas…

  • Ana

    Sim, é o caminho de cada um. Damos conselhos sobre equilíbrio tendo como base de que os excessos são os nossos maiores defeitos mas na verdade é com eles que aprendemos as maiores lições da vida que contribuem tanto para a riqueza do nosso carácter, maturidade e entendimento da vida.
    Não há regras, a vida é muito irónica nos seus métodos de ensino e é possível extrair significado decoisas infinitamente pequenas. A vontade humana intrínseca de conferir significado à existência abre as portas da imaginação e tudo é possível.

  • John Doe

    Mas, no meu entender, há aí um erro, no qual eu pecador me confesso também cair, apesar da consciência do mesmo.

    O dar significado a tudo.

    Há coisas que não é para dar significado. É para pura e simplesmente sentir e deixar-se navegar nos mares chão de uma alma alada que nos faz voar pelo simples facto de estar. Porquê e para quê procurar um significado? Deixa de fazer sentido. Perdemos um pouco o gosto do sentir quando nos tornamos demasiado racionais. Eu sou racional até ao infinito de mim. Mas esta musa que me faz escrever faz-me apreciar irracionalmente cada momento, cada instante, por mais escasso que seja. As imaginação está sempre presente, nos sonhos e nos desejos. Mas a realidade torna-se mais doce que o mais doce dos sonhos. Ela consegue com o simples facto de estar, transformar qualquer imaginação em algo tão infinitamente inferior à realidade que fica para lá do humanamente compreensível.

  • Miquellina

    A Mique acha o sentimento que invade e se diluí por todo o ser uma benção…afortunados aqueles que sentem em condições adversas, complicadas…mas que mesmo assim, arriscam para além do medo, para além da vida…e vivem na plenitude o sentimento magnifico que é o amor em estado puro…aquele que nos deixa o estomago embrulhado e nos faz tremer as mãos…aquele que nos deixa uma saudade que parece que mata…e sim podemos morrer de amor!!!

    Beijo

  • Ana

    Concordo. Não disse que se deveria dar significado a tudo, que horror seria! Concordo que há muitas realidades melhores do que qualquer sonho ou plano imaginado.

  • John Doe

    Mique é um benção sim. E sim podemos morrer de amor. E também podemos morrer pelo amor.

  • John Doe

    A questão Ana, é que eu por norma procuro esse significado.

  • Miquellina

    Jonh…e como preferes?? de…ou pelo?

    Eu prefiro em pelo…rs

  • John Doe

    Mique,

    Não há preferencia.

    Mas a morrer, que seja em pêlo… 🙂

  • Ana

    A tua musa liberta-te do agir ‘por norma’, desperta o teu desconhecido e temido ser irracional.

  • Miquellina

    ó Jonh!!!

    Morrer em pelo e a amar…haverá morte mais gloriosa?

  • John Doe

    Ana, completamente.

  • John Doe

    Mique,

    No meu universo de conhecimento, não…

  • Miquellina

    ó Jonh!!!

    E o teu Universo é fantástico…e então se for em pelo…ó God!!!!

  • John Doe

    Mas olha que eu tenho muito pêlo…

  • Ana

    Isso é do melhor. Resposta para os dois.

  • Miquellina

    Jonh eu também…é algum impedimento??

  • John Doe

    Ana,

    Ainda bem que concordas. 🙂

  • John Doe

    Nenhum Mique

  • gataescondida

    Não sei porquê, acho que vou levar, John…

    Bem-hajas.

  • gataescondida

    Nem sempre as sortes se conjugam… É isso. Gostei.

  • John Doe

    Obrigado eu gata…

  • John Doe

    Podes crer…

  • Iris Barroso

    Que linda declaração!

    Estou verde de inveja dessa pessoa que é mais do que arte.

    Vou parar ao Inferno por causa de ti! Não é justo!

  • John Doe

    Iris,

    Obrigado.

  • gata escondida

    Acho que vou fazer um post com este escrito mas ainda não é desta. Lol.
    A ver. A inspiração não está a ajudar…

  • John Doe

    Obrigado gata. Muito me honras que o tenhas na ideia.

  • Eduarda

    Sometimes, we have to fearlessly cross the bridge because Heart urges.
    Lindo texto, pleno de uma luz que nos invade os poros e se entranha na carne. Mas sei que, por detrás dessa luminosidade, uma escura esquina te trava os gestos, embora não os sentires ou as palavras que admites insuficientes para expressar o Todo que albergas. Fazes-me recordar um verso de David Mourão Ferreira a que tão fortemente recorri – sentir-te como “o solar que sempre foste por dentro”! Mas ouso um verso meu ainda – mesmo quando as ternuras são esmagadas nas mãos cerradas…
    Give wings to that so great Love and cross the bridge. Only one step…

  • Francisco

    If only that was so simple…

  • Francisco

    Há momentos em que são bons os arrepios. Espero que o tenha sido…

  • A

    com certeza… e bom dia 🙂
    o A sempre regressa

  • Francisco

    Bom dia…

  • A

    estavas por perto… aguardavas algo?

  • Francisco

    Estou sempre…

    Aprendi a esperar muito pouco…

  • A

    … aguardavas algo, ainda que pouco…?
    é que como bem sabes, todos os universos podem estar contidos no que parece por vezes ser “pouco”…

  • Francisco

    Neste momento não aguardava nada, como continuo a não aguardar.

    Lá vai tempo em que esperava (e desesperava) universos. Tenho o meu, basta-me. É à minha medida.

  • A

    é possível aguardar sem aguardar…
    eu cá aguardo sempre, hoje em dia também sem desesperar, e até sem aguardar… para o baque das boas surpresas poder levar

  • Francisco

    Quem me conhece sabe o quanto detesto surpresas….

  • A

    compreendo… ainda que lamente

  • Francisco

    Invertendo a lógica (que não deixa de ser lógica por estar invertida), poderia lamentar eu por si o esperar surpresas. Por isso mesmo não lamente. São apenas formas de estar e de ser…

  • A

    compreendo perfeitamente como sou livre de lamentar certas formas de estar e de ser, ainda que não deseje interferir, por respeitar a escolha e/ou limitação… seja qual for a escolha, desejo que seja feliz nela

  • Francisco

    Obrigado pelo desejo. Acredite que lhe desejo o mesmo.

  • A

    acredito pois… até qualquer dia

  • Francisco

    Até mais.

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