Da morte

A morte ronda-me há muitas anos, tantos quanto tenho vida. Acompanha-me ao longo do tempo. Talvez por isso não lhe guarde receio, talvez por isso lhe tenha querido dar a mão tantas e tantas vezes, naqueles momentos em que mais ninguém parecia disposto a dar.

Esteve à minha beira desde tempos tão atrás que não tinha sequer idade para me lembrar. Companheira fiel, tanto como o silêncio, é a minha amiga de longa data.

Vi-te os olhos minha amiga, tantas e tantas vezes, lembras-te?

Já te escrevi, já te cantei, já te celebrei. Há dias em que te peço com força que me dês a mão, há dias que apenas te olho quando sorrateiramente, como que não querendo fazer barulho, passas por mim.

Mas nunca me deixas-te só…

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6 responses to “Da morte

  • Teresa

    Temos os amigos que escolhemos, com a proximidade que lhes queremos dar… Essa tem um custo alto e definitivo. não é mau não a recear e saber-lhe o nome, mas há que ter cuidado com a companhia.

    Sem mais delongas, os meus votos de uma longa e próspera amizade com uma outra conquista: uma com nome de surpresa, espaço, tempo, risos, lágrimas, cor calor e frio, doces e amargos. a tua Vida. A Essa , recorda-te , tens de lhe dar mais protagonismo e deixares que tenha e te inunde de luz.

  • São

    A morte vive connosco desde que nascemos, a maioria de nós esquecesse disso, se nos lembrássemos mais vezes como a vida é efémera, dar-lhe íamos mais valor e deixaríamos de nos preocupar com factos insignificantes, para nos preocuparmos com aquilo que é realmente importante.
    Não deixa de ser curioso, depois de estar algum tempo sem ler este blogue, vir hoje e encontrar um texto sobre a morte, quando o último texto que comentei aqui foi justamente sobre a morte.
    Desculpa, mas continuo sem entender, como podes chamar de amiga à morte.

  • Francisco

    Teresa,

    Não é a sua companhia que me assusta.

    Quanto à outra, a Vida, vamos-nos reencontrado lentamente. De há algum tempo para cá tenho-lhe davo mais valor, também porque me tem dado mais valor a mim. É uma reciprocidade de aberturas, dela e minha.

  • Francisco

    São, foi pontaria. Foi mesmo pontaria… 🙂

    Há gente com quem a morte não vive… Ou pelo menos não se manifesta nesse sentido.

    Quanto às amizades que dizer?

  • Someone

    A morte confere todo o sentido à vida. É a sua maior serva e ao contrário do que possa parecer, é um anjo com umas asas enormes e luminosas, sempre ao serviço do processo da vida. Cria terrenos férteis e renova tudo…

  • Francisco

    É o que penso há muito tempo. No entanto, as coisas têm vindo a mudar. Se é bom ou não? Só o futuro o dirá. Digo apenas que me sabe bem voltar a sentir algum gosto pelo viver.

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