Trauteia-se uma música qualquer enquanto os passos lentos ecoam por entre casa velhas e desertas, frias do tempo em que já não mora ninguém. Roupas velhas jogadas em cantos escuros e rasgadas pelo tempo que passou deixando os seus sinais. Repercussões vibrantes da voz sumida e dos andares barulhentos das pedras que se calcam, estridência para a paz que se almeja. Estuda-se o horizonte vazio na busca da cor magnânima dos olhares perscrutantes de mim. Ruas tenebrosas, cinzentas, inquinadas de águas negras lodosas em esparrinhares assustadores. Luz, precisa-se de luz, de calor e clamor sussurrante de bem-quereres. Tapam-se os ouvidos fugindo para o silêncio. Caminha-se como louco de dedos espalmados na cara cobrindo os poros amplificantes dos sonidos. Gritos contraproducentes que abafem os monstros e da paz almejada chega-se à discórdia indesejada.

E por fim os teus olhos.

Cala-se o mundo que não é para aqui chamado que os ouvidos são apenas para ti. Estreita-se o olhar que a vista é para ti. Tocam-se as mãos que o sentido é teu.

Esquece-se a música e as casas e as roupas e os burburinhos belicosos. Esquece-se a água suja e a dissonância dos assombros.

Estás perto de mim.

Fecho os olhos e sinto-te…

… aqui.

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