Monthly Archives: Outubro 2009

I want…

I wanna take you on a roller coaster
I wanna tell you that I’m feeling closer
I wanna push it right over the line
The line that you draw as you draw me near

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Hoje…

… foi um dia difícil de sobreviver.


Reflexões

Tarde fechada, de recolhimento máximo. Tarde daquelas de ficar sentado no chão de cara enfiada entre joelhos e os braços envoltos nas pernas. Tarde de olhar para dentro, de olhar para o mais profundo de mim. Tarde de analisar estrégias de vida, alinhar o que em tão pouco tempo ficou desregulado. Tarde de ficar surdo e mudo ao mundo, de ficar no silêncio tão próprio, tão só.

Tarde reflexiva do que sou, de onde estou, de para onde vou…

Tarde de “e ses…”, de porquês sem resposta, de gritos surdos, de força desperdiçada no agarrar aquilo que mais tenho, que sou eu. Este eu que não faz sentido, este eu que quase não existe, este eu que está cansado e faminto.

Tarde dura.

Tarde de uma conclusão.

Ainda só está no ínicio…


Momentos

Há momentos em que o mundo nos dá uma claustrofobia que não imaginamos conseguir suportar…


Vem, dança comigo. Solta-te nos meus braços e roda comigo neste salão improvisado de folhas e ar, de vento e sonhos. Vem, dança comigo. Deixa o som entranhar-se no nosso corpo e alma, deixas a balada fazer-nos voar pelos tempos infinitos.

Sabes, gosto de ti. Sabes, és importante. Sabes, és única. Sabes, és tu e fazes parte de mim.


As Montanhas de Vento – III

O negro de asfalto fazia-se na calma corrente de quem retira prazer do caminho, deixando a viatura deslizar silenciosamente nas longas rectas e curvaturas suaves de uma auto-estrada descongestionada. Entra-se na cidade e quase não se dá conta disso. Caminho teleguiado, feito quase sem pensar, com destino certo. Rádio desligado para ouvir melhor os pensamentos que surgem a velocidade superior que à do próprio carro, morde-se o dedo, olhos semi-cerrados, procura constante do conforto de um banco que parece demasiado rígido. No peito, um coração em sobressalto por mais um momento há tanto esperado, transformando a jugular num telégrafo emitindo código morse de afectos.

Chegado ao destino, acaba-se o cigarro antes do momento mágico de entrar naquele santuário tão dela, tão sua imagem e criação. Conhece-lhe a casa de cor, sabe-lhe os cantos, memorizou-os da primeira vez que os viu, os sentiu. Desde o calor de uma sala aconchegante ao intenso de um quarto imerso no seu perfume. Sabia-a ali, tão perto.

Pega na pirisca entre dois dedos e lança-a longe  expelindo ao mesmo tempo os últimos resquícios do fumo que lhe dava a sensação de aconchegar o nervoso que ainda sentia de cada vez que se especava à porta pronto a esticar o dedo e carregar no botão da campainha. Mas mais atribulação era aquele momento de suspenso, tantas vezes comparado ao passo rumo à queda de elástico atado aos tornozelos, entre o toque e a resposta. Era momento de ficar sem chão, de coração a bater nas têmporas, de expectativa em que a garganta perigosamente se apertava até quase ficar sem ar, em que a boca ficava com o gosto esquisito da contracção de todos os músculos. Momento que se ultrapassava com o ruidoso “clank” da abertura da porta. Passos largos, degraus subidos dois a dois, o arfar de quem corre e de quem anseia e depois aquele barulho tão característico da porta que se abre ainda não lhe chegámos, aquela sensação tão ilustre de que somos esperados e que nada daquela sofreguidão era essencial.

O sorriso com que foi brindado foi enorme, rasgado, tão cheio de sentimento.

– Olá – disse-lhe ela – ainda bem que vieste.

– Olá – disse Carlos enquanto se aconchegava nos braços que lhe estavam estendidos em cumprimento.

Quase lágrimas lhe rolavam pelas faces no contentamento de novo a poder sentir assim tão perto de si. Sentia-lhe a saudade de a poder ter junto ao peito, fazendo-a sentir como aquela máquina a que chamavam coração furiosamente clamava por si.

– Desculpa – diz Carlos

– De quê?! – enquanto franzia o sobrolho em estranheza daquela palavra que não fazia sentido ali.

Carlos estende as mãos às suas faces que prende e deixa os lábios seguirem a vontade próprio de se colarem aos dela, num beijo terno e cuidado, em que colocou todo o carinho e desejo que sentia. Deixou as mãos escorrem pela figura esguia e enlaçou-a num abraço apertado.


Temporal

Quase que jurava que hoje te vi em reflexo nas grossas gotas que escorraim pela janela. Quase que tive a certeza que o teu nome me era dito pela vento forte que dobrava as árvores em esforço.

Apeteceu-me ali puxar-te a mim, fazer-te sentar no chão e saborearmos um gelado de cereja olhando o temporal do lado de fora da janela.