As Montanhas de Vento – IV

– Afinal pediste-me desculpa de quê? – Perguntou ela de sorriso rasgado.

  Ainda de braços de volta dela, com o nariz enfiado por entre o cabelo sedoso e perfumado, Carlos mantinha-se em silêncio. Era algo que o apaixonava, aquele momento quase em suspenso em que apenas lhe sentia o corpo vibrante de encontro ao dele, sentindo que a aceleração do corpo voltava à sua normalidade. O peito dela voltava ao ritmo regular de respiração e sentia isso no seu próprio corpo. Distanciou-se apenas o suficiente para a olhar nos olhos e sorriu.

– Porque tinha urgência de ti. Porque tinha necessidade de sentir o teu gosto e nem te pedi licença.

 Os olhos dela brilharam e de novo os braços o enlaçaram pelo pescoço deixando a cabeça encostar no ombro que lhe era oferecido.

-Tinha saudades tuas, deste teu abraço.

Aquelas palavras combinadas com o fragrância que emanava daquele corpo tão junto de si fizeram-no fechar os olhos e quase levantar voo.

Ela pegou-lhe na mão e levou-o a sentar-se no sofá, sentando-se ela depois de pernas encolhidas e de cabeça poisada na palma da mão.

– Ainda bem que vieste.

– Queria muito vir. Tinha imensas saudades desses olhos doces com que me enches o peito de gosto.

Aproximou-se novamente dos lábios dela e sentiu de novo aquele toque acetinado e a língua que lhe deixava um gosto doce na boca, quase como uma tangerina sumarenta que faz escorrer pelos cantos da boca quando se trinca os gomos com os lábios. Deixava-se ir sempre naquela sensação salomónica, milhares de sensações todas diferentes que ao mesmo tempo fechavam todos os sentidos a qualquer factor externo que o apartasse daquela ligação quase divina. Quando deixava os dedos escorrerem-lhe pela carne até lhe agarrarem as costas em apertos compassados e a fazia arquear de encontro a si, ao mesmo tempo do suspiro que por força se soltava, sentia-se no auge de ser querido. Aquela sensação valia por cada minuto de espera tenebrosa do momento tão raro.

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2 responses to “As Montanhas de Vento – IV

  • Teresa

    Ai!!!…Gosto!
    o título traz maus augúrios? Diz-me que não há tristes nesta história…eu estou a ficar uma romântica melosa e não aguento desfechos infelizes.

  • Francisco

    Não Teresa. O título não traz maus augúrios. Não conto em haver triste, pelo menos no que já está delineado. Isso está nas mãos do Carlos e dela (já agora aproveito para abrir “concurso” para o nome dela).

    E se estás a ficar uma romântica melosa isso não é necessariamente mau, no meu ponto de vista. 🙂

    Penso eu que não poderá haver desfechos infelizes, mesmo não sabendo ainda qual ele é.

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