No horizonte as marcas do dia que ia acabando na doçura da tarde de um dia de outono, com o laranja espraiando-se pelos farrapos de nuvens e pela imensidão da foz do rio. As janelas abertas deixavam o ar de impregnado do aroma salgado da maresia invadir o interior do carro que rolava de forma macia pelo alcatrão liso da estrada sem trânsito. Aquele ar carregado de sal e a luz ainda intensa que obrigava a quase fechar os olhos traziam um sensação de calma quase obrigatória. Destino marcado no aparelho, seguindo as instruções quase de forma automática, conduziam ao momento há tanto esperado e mais ainda desejado. Vontade crescente que quase leva às lágrimas, querer imenso de novo sentir os braços pelo pescoço.

O momento chega, fazendo com que tudo o que se imaginou não passasse de um esboço do sublime e perfeito segundo em que os olhos de novo se encontraram. Pela cabeça passa o quanto estranho é que a realidade suplante o sonho. Fecha-se os olhos, cerram-se com a força toda, deixa-se de novo toda aquela mulher entranhar-se, deixar que o seu perfume repasse, se cole a pele para que acompanhe no depois.

A vontade não esmorece, a saudade não se apaga, um novo sulco nasce.

E com as lágrimas um sorriso de felicidade.

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