“No cume não ouço mais que o coração”*

Pinto-te na realidade sonhada, em traços finos e coloridos. Ali, no muro sentado, de pés ao infinito, de novo sinto na ponta dos dedos a pele macia que me transporta aos céus. Sinto de novo o calor que transcende os panos e a pele, que chega ao coração e o faz vibrar. Sinto-o a cada batida como sinto a brisa que me arrefece a cara, te voa por baixo dos cabelos que brincam no ar, te eleva a ti que me elevas a mim. Sinto-te as mãos que brincam na minhas, as agarram e as espalmam em força controlada, em desejos que se expandem. Cai chuva miúda, empasta e cola a roupa, a transparece e aproxima o arrepio que não se esconde. Ali, no muro branco, de pés ao infinito, vendo como a bruma desce a montanha, faz cerrar os olhos e desfilar fotogramas de ternura, em filme colorido como os quadros que pinto contigo.

Pincel fino em traço firme, que bem te sei. Realista dos sonhos que guardo comigo, aconteceres em paralelo de um universo que não se conhece. Subo lá acima, deixo-me estar, que aqui quem manda sou eu. Não é qualquer pessoa que pode cá vir, não é qualquer pessoa que o sabe sentir.

Aqui o tempo morre devagar…

Sei-o bem.

Sei-te bem.

Sabes-me bem.

* Frase de João Garcia, alpinista, antes de se lançar na conquista de Annapurna no Nepal
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5 responses to ““No cume não ouço mais que o coração”*

  • lidulcineia

    Gosto de te sentir em paz.

    Um abraço.

  • Francisco

    A paz nada tem a haver com o assunto Lidulcneia.

    Um abraço

  • Ventania

    Esse espaço privado ninguém nunca poderá perturbar. E aí podes procurar paz… Beijo.

  • Francisco

    É um espaço relativamente privado sim, Ventania, ao qual levei quem tão importante me é. Fez-me memórias, deu-me sorrisos. ´

    E há uma certa paz não o nego, mas não é de paz que falo. É de quadros deliciosos que me faz pintar, dos momentos de alucinação, das horas que pareceram segundos e dos segundos que valeram horas, das palavras que surgem da ponta dos dedos e daquelas sensações que nem me atrevo a descrever.

    Não é de paz que falo Ventania, é de tudo o resto…

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