Ciclos

Ouvi no outro dia, numa rádio qualquer, alguém que defendia, a propósito de um qualquer assunto, que não existiam ciclos, mas sim um continuidade de diversos processos. Pensei para comigo que também na vida não há ciclos. Há processos dentro de uma linha guiadora, numa continuidade finita.

Estes últimos dias, e hoje em primazia,  num processo pensante profundo, interior, pesado (chegando a ser agonizante), chego a uma conclusão contrária. Há ciclos sim.

Somos, quais Fénix, vítimas da unicidade dos tempos, compelidos a renascer ciclicamente, em deixar para trás, em seguir em frente. Há momentos (arrisco-me a dizer “tem de haver”) em que somos compelidos a cortar e começar de novo, diferentes, renascidos. Sei bem das memórias que não se apagam (talvez os fundamentos da continuidade), conheço-as de cor. Mas há um momento, um nanossegundo, em que sinto que tudo se desmorona, paredes de pedra que se transformam em terracota e daí até ao pó. É nesse preciso momento que da pira de canela, novos muros se levantam, mais juncos se juntam em paliçada. Novo ciclo se inicia, com um novo “eu”.

Diferente do anterior?

Sempre. Mais completo (nem sempre!!!), mais sábio (nem tanto!!!).

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