Dos beijos…

O acetinado dos lábios que escorregam docemente pelos meus é lembrado até ao ínfimo pormenor.

Sinto ainda os dedos que se espalmam nas faces e as puxam docemente até os lábios tocarem, primeiro num toque breve que faz os lábios esticarem de se colarem, para depois entreabertos se encaixarem e deixarem as línguas suavemente humedecê-los na troca de carícias simultâneas. O sabor da boca, o bafo quente do respirar, o tremer no gemido que sai impulsivo, o jeito do corpo que se aproxima na ânsia do contacto, o pegar e não deixar separar enquanto se degusta a saliva que nos escorre à boca. Dá prazer, excita aos limites, obrigam-se os olhos a fecharem apelando ao «shut down» de todos os sentidos que não seja o gosto, o paladar de um boca que se encaixa em sincronia perfeita na minha. O morno que faz delirar, o ser sugado, lambido, provado no beijo que não se despega, o respirar que se torna pesado, ansioso, que faz o cérebro desoxigenar, perder rumo, entrar em espiral vertiginosa, que faz perder controlo sobre mãos e braços, que electriza e faz fechar membros em volta do outro, qual choque eléctrico.

Fazes desaparecer universos paralelos centrando-me num, que é o teu. O chão desaparece, os sons são inaudíveis, cega-se em consciência para a inconsciência do sentir, pura e simplesmente.

E levita-se até muito depois das línguas se descruzarem…

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