Monthly Archives: Maio 2010

Sentiste-me?

Sentiste-me hoje?

Sabes, viajei tantas vezes ao longo do dia para ti…

Senti-te tão perto que tive de novo o teu sabor…

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Procuram-se as coisas belas, que nos agradam aos sentidos. Procuramos todas aquelas coisas que nos fazem sentir maior que o mundo, que no eleva a alma para lá do sétimo céu. Procuramos sempre algo a que nos agarrar nos momentos que passamos em quedas vertiginosas em passamos a crosta da terra e nos afundamos mais e mais, sentindo o peso das atmosferas sobre os nossos ombros.


Hoje estão em Lisboa e com muita pena minha não pude estar…


Incontáveis…

… as vezes que baixinho te sussurro o nome, que me enche o peito.

… as vezes que me deleito na figura que tenho gravada na minha mente.

… as vezes que estendo a mão na procura da tua.


Apetece-me…

… abraçar-te, daquela forma tão especial em que te sinto perder no meu peito, quase em concha, de face encostada ao peito, com as mãos abertas nas minhas costas, em doce prisão dos sentires. Puxar-te ao chão e fazer-te sentar ao meu lado, agarrando-me o braço e poisando a cabeça no meu ombro, onde te contaria os meus sonhos, onde te falaria de como és tão bonita todos os dias e todos os momentos, onde te explicaria como o horizonte fica mais rico quando te desenha a figura, onde te pintaria em quadros coloridos os desejos que assomam na minha imaginação.

… escrever-te na pele uma história, na tinta invisível que me brota da ponta dos dedos. Escreveria uma linda história de adorares e quereres maiores que o Homem, de sorrisos que brotam como flores em prado primaveril, igualmente inocentes e espontâneos. Escreveria a tua história e a minha história, nas palavras que apenas ao Maiores estão reservadas, porque é para lá que elevas a cada presença tua.

… mostrar-te caminhos que percorri e encostas verdejantes onde já me deitei. Dar-te mimos e ternuras até fizeres “basta”. Mostrar-te como és bela e doce e tão grande.

… dizer que simplesmente te adoro, em todas as dimensões do imaginável e para além disso, que te sinto saudades, que me fazes feliz, que me dás alento e me ensinas a ser mais eu a cada instante.

… sussurrar-te “Gosto-te” e “Apeteces-me” até o dia clarear. Sentir-te os lábios em sorriso a cada beijo, o suster em apneia quando encostada na parede, o arquear do corpo no esgar da luxúria electrizante, os dedos enterrados no cabelo em fúrias de paixão.

… ter-te aqui e agora.


Há momentos…

Há momentos assim, em que a visão de um futuro se torna aterradora, em que procuramos no infinito fim ao que nos agarramos afinal. Há momento assim, em que tudo o que se vê não passam de fachadas simuladas, cenários de papel prontos a rasgar à minima brisa. Momentos em que olhamos as nossas mãos cheias de nada que não seja ar e imaginamos como ficariam molhadas com as lágrimas que teimam em não cair. Olhamos e nada vemos.

Afinal a realidade não passa de fantasmagóricas tentativas de um viver que não é mais que um sobreviver a custo. Quase se sentem os joelhos esfolados por entre buracos de calças gastas do rastejar sem descanso, sempre à espera da próxima pedra que nos trave a marcha lenta e sufocante.

Há momentos assim, em que tudo é engolido à custa de um copo de água gelada, que adormece a garganta para que não se sinta o passar atravessado de pensamentos gigantes como pontes, que caem ao estômago e fazem doer como se de um murro se tratasse. Olha-se e nada se vê.

Não há perspectiva que resista, querer que se aguente ou vontade que vingue.

Nada, como nas mãos…

Há momentos assim, em que o esforço do calar é hercúleo, em que a Jugular e a Carótida ficam em desafio da pele, em que os maxilares se juntam em força, em que se trinca o lábio por dentro até fazer sangue. Há momentos assim, em que tudo não passa de miragens inconsequentes, pontos de amarra forçados ao máximo.

Pergunto-me eu de que serve…

Há momentos em que simplesmente realizamos que a felicidade é apenas uma imagem esfumada de algo que poderia ser.

Há momentos em que a única palavra que aflora aos lábios é “desisto…”


Mulher,

Tesouro escondido no fim do arco-iris,

Brisa fresca de uma manhã clara.

És tu o reflexo

De um sol de fim de dia,

Marejar suave

De espuma de água em areia,

Estrela cintilante

Em breu de crepúsculo vesperal.

Sai-me o teu nome

Em suspiro de apeteceres,

Sibilado

Por entre lábios secos

E sequiosos do teu dizer.

Fecho os olhos

E estendo-te a mão no ar,

Sei-te em aragem que me afaga as faces,

Em deleite

Doce que extasia.