Da Saudade…

A saudade não se mede. Não se consegue dizer o quanto se sente, quanta é. No máximo podemos tentar descrever as manifestações da mesma, como se traduz.

Sei eu como se manifesta a minha saudade tua e, mesmo assim, é difícil traduzir em palavras essa manifestação. Sei eu que me traz aperto no peito, mas não consigo explicar a forma dolorosa como se faz sentir. Sei eu que me traz falta de ar no seu sentido mais literal, mas não consigo expressar o quanto é verdadeiro. Sei eu dizer que traz sempre uma lágrima ao canto do olho, que travo e me faz engolir em seco, mas não o consigo colocar em palavras o quanto é difícil esse engolir.

Sei eu, no meu mais interior, a falta que faz sentir-te o corpo perto, o calor que emanas de cada poro teu, de cada gesto suave que manejas no ar, de cada lufada que te sai do interior, de cada simples olhar calado que me lanças. Sei eu a penúria que é estar longe, de tal forma que a ponta dos dedos não se tocam, que os olhos não se vêem. Sei eu a loucura que se sente quando a ânsia invade cada nanopartícula do meu existir.

Sinto-te saudades, das mais dolorosas, aflitivas e agonizantes que possas imaginar.

 Já o li, já o disse, que só sentimos saudade do que amamos. É a mais pura das verdades.

Talvez por isso seja o sentimento mais difícil de suportar…

Anúncios

4 responses to “Da Saudade…

  • Teresa

    Assim como num dobrar de esquina, rever umas velas acesas onde já foi luz para dois. Assim como trazer unviversos em partículas no bolso quando a areia se colou na pele e se pegou aos dedos quando pomos a mão no bolso.
    Assim como reencontrar notas e folhas que podem cheirar a livros velhos, mas que são presentes como num hoje.
    Assim como abraçar uma almofada onde se pressente um cheiro que já não existe lá.

    Saudades são também fotogramas e migalhinhas que lembramos de um bolo bom. Daqueles que não queremos perder a receita alquimica de lá ir saboreá-lo num eterno retorno.

    Um beijo Franciso.

  • Francisco

    Saudades são também tudo isso Teresa e tanto tanto mais que é impossível de dizer.

    Nesse “eterno retorno” que faço tantas e tantas vezes, incontáveis, que faço questão de saborear as imagens doces, em sabores imensos e sempre diferentes, onde recordo os beijos à luz dessas velas quando eram luz para dois, nos universos que trago na memória que não se consegue descrever, onde leio as notas onde espelhei o meu amor e o meu querer, na almofada onde me deito todas as noites e tantas vezes encxugam lágrimas que brotam em silêncio. Aí esta a saudade, como tão bem dizes. Está na primeira imagem do dia, todos os dias, onde vejo o rosto com clareza ou na última do dia, onde mais claro ainda o sinto.

    A saudade está em cada minuto do viver, em cada curva do caminho, em cada acorde que desvanece no ar…

    Um beijo enorme Teresa

  • Francisca

    Saudade… sou constantemente atormentada por esse estado de espírito, e devo dizer que é horrível. A falta dessa pessoa atormenta-me a cada instante quando um de nós tem de ir, uma dor forte no peito, as lágrimas nos olhos logo depois de ouvir a porta a bater.
    É um desespero, uma vontade que me faz querer ir atrás dele, e gritar o nome dele na rua até ele voltar para trás abraçar-me e sussurrar-me ao ouvido que nunca mais me vai deixar. Mas se isto alguma vez acontecer, infelizmente vai ser só em sonhos…

  • Francisco

    São os sonhos que nos acompanham até ao fim do dias…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: