Balanços.

Em alguns pontos da minha vida paro e faço balanços. Balanços do que sou, do que fui, do que fiz e não fiz ou deveria ter feito (estes últimos tão importante de saber como o que fiz), onde estou, para e por onde quero ir.

Olho para mim e sinto-me mais só. Não que me falte quem me acompanhe, alguns poucos e enormes, acompanham-me no passar do tempo, no calcorrear dos caminhos que se perfilam mas, nalguns passos, essenciais e não só, olho para o lado e ninguém vejo. Culpa minha? Sim, claramente.

Não me posso queixar, e não o faço, das minhas escolhas. Constato apenas factos. As lutas internas nas encruzilhadas são minhas e de mais ninguém e, por isso mesmo, por escolha própria, as resoluções também o são. Não posso assim, propositadamente, distribuir culpas. São minhas e eternamente minhas.

Neste momento, saio eu de um encruzilhada onde, mais uma vez, escolhi. Bem ou mal, não o sei, talvez o futuro me dê razão no que escolhi e, vai daí, talvez não. E as escolhas trazem sempre consigo pensamentos contraditórios, imaginações do que poderia ser se a escolha fosse diferente, novas e duras batalhas internas. Mas, como sempre, há alturas em que é necessário guardar em caixas fechadas à chave um conjunto de sentires e de seres.

É o que faço neste momento…

Esta caixa é especial, tem lá dentro o melhor que consegui ser, um sentimento puro e duradouro, porque apesar de colocado dentro da caixa, o sentimento não se apaga da memória. É uma caixa cuja chave guardo num bolso muito especial junto ao peito, uma caixa que não conseguirei que esteja fechada ad eternum, que terei necessidade de a espaços ir abrir um pouco e deixar-me viver o tanto que fui e senti. Esta paixão que ainda sinto, e arrisco-me a dizer que não vou conseguir, nem quero, apagar totalmente de mim enquanto ar, por mais pouco que seja, me encha o peito, não pode existir mais. Com esta caixa, encerro-lhe também algumas coisas mais. Há palavras que não voltarão a ser ditas, há letras que não voltarão a ser escritas, não porque não tenha vontade de as libertar, mas porque é assim que deve ser feito. Nesta idade que tenho, que não conto pelo número de suspiros que o corpo já deu, mas pelo que fui em cada um deles, chego a um momento em que o corpo e, mais que o corpo, a alma se extenua do tanto que já passou. Dirão alguns que ainda é pouco, outro dirão que já foi tanto. A verdade é que uns e outros não poderão nunca perceber porque não viveram nada da forma como eu vivi. Não lhe conhecem intensidade ou valor, não lhe conhecem os desgastes ou os sabores de vitória.

É tempo então de fechar essa caixa e de a colocar em lugar especial.

É tempo de calar e sossegar.

É tempo de me colar às sombras das paredes na tentativa de nunca mais de lá sair (mais uma escolha minha para um caminho que não me é totalmente estranho).

Seja o que Deus quiser, na promessa que cuidarei de fazer boa viagem.

Até um dia destes…

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