19 December, 2010 02:50

O frio parecia repassar cada camada das grossas peças de roupa que vestia. Sentia a pele arrepiar-se com o roçar da camisola no compasso do caminhar dando-lhe contracções até à derme. Não lhe era desconhecida a sensação. Reconhecia a mesma de quando de olhos fechados lhe sentia os dedos alisarem caminho pelo corpo pedinte das atenções. De forma involuntária saiu-lhe um "hummm…" pela boca deixando a mente a pensar se pelo frio que sentia se pelo súbito entusiasmo que começava a aflorar no seu íntimo.

Sentia saudades daqueles dedos, das mãos inteiras que agarravam sem prender e de como conseguiam deixar um rasto de frenesim,de como controladamente conduziam ao total descontrolo. Um suspiro incontido faz um bafo de vapor de água sair-lhe por entre os lábios gelados e desprotegidos. "Sabia bem agora um beijo dos teus lábios" pensou, dando-se conta que pensou mais alto do que gostaria, ao sair-lhe murmurado. Olhou em volta na esperança que ninguém fizesse juízos de valor acerca da sua sanidade mental mas aquela hora não havia vivalma na rua, apenas um silêncio quase angustiante. Apenas alguém fora da sua sanidade mental andaria pela rua naquela noite gelada. Não se impediu de um sorriso ao fazer a ligação lógica entre o murmurar alto e o andar na rua. "Afinal, se alguém pensar que não estou no meu juízo não falha muito."

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