Monthly Archives: Março 2011

30 March, 2011 11:09

Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"


De ti…

Porque só faz sentido assim, é de ti que nascem estas palavras. De ti porque és tu que causa o frémito no dedos que os levam a passear por este teclado, matraqueando cada tecla com uma suavidade impressionante, apesar das urgências que surgem. De ti, porque todas as imagens que me vão passeando pela mente são tuas, conforme vão nascendo as linhas que se escrevem. Do mais impressionante é que vou sorrindo vendo-as aparecer na tela com a perfeita consciência que, por mais que escreva, nunca acho suficientemente grande, suficientemente bom, suficientemente capaz. Fico sempre com a sensação que mais algo podia ser dito mas a minha capacidade é reduzida, falta-me vocabulário, faltam-me adjectivos, faltam-me tantas e tantas coisas para conseguir chegar um pouco mais perto do imenso que és, do tanto que iluminas, do admirável que surges.

Apetece-me sentar aí, num lugar qualquer (olha à tua volta e escolhe tu, que qualquer lugar é bom a teu lado) e bater com a mão ao meu lado e dizer-te “Anda, faz amor comigo…”.

Não precisas de te despir. Não precisas de me despir a mim. Senta-te apenas e encolhe-te junto a mim. Encosta a tua cabeça no meu peito e ouve o meu coração que fala tão melhor que as minhas palavras, olha-me nos olhos, que dizem melhor que qualquer outro gesto. Façamos amor assim, apenas estando.

Tenho saudades de estar contigo. De muito mais, dos abraços e dos sorrisos, dos risos e das palavras soltas. Mas tenho ainda mais saudades de estar. Simplesmente, estar. De conseguir transportar-mo-nos para um universo paralelo onde nada mais existe, de te colocar no lugar que é teu por direito próprio, porque o mereces. Ao centro. Faz-me feliz que estejas, porque o mereces, porque o gosto de ti exactamente aí. No centro, ao meu lado fazendo amor comigo, apenas com a cabeça encostada no meu peito, num abraço sem fim.

Anda, faz amor comigo…


12 March, 2011 21:58

Na morte, não é a podridão do corpo que me preocupa, mas a perecibilidade da minha essência…


11 March, 2011 14:54

O desespero é, a maior parte das vezes, mau conselheiro. Leva-nos a tomar atitudes de arrependimento posteriores, de forma imediata ou mais perdida nos confins do tempo. Mas é uma realidade que a pressão exercida é desumana.

Diz-se que não levamos pedras maiores que aquelas que conseguimos carregar e sabemos como a sabedoria popular é pródiga em dogmas que não ousamos colocar em causa. Sísifo não o faria melhor, diria eu…

Olhamos com ternura condescendente para o que nos surge e lançamos mão ao trabalho. "É a vida…" lançamos ao ar numa tentativa de conforto ilusória. Cansamo-nos de esbracejar, respiramos em dificuldade e, ainda assim, continuamos como se o pomo de ouro estivesse ali escondido no jardim das Hespérides quando na realidade os pés vão descalços em caminho surribado e o que procuramos é sobreviver o mais incólume possível.

Guardamos religiosamente os pedacinhos do caminho, porque nos dão o conforto das vitórias, para que nos lembremos do sofrido, porque pode ser preciso ou apenas porque sim, sem nunca pararmos para pensar que mais esses pedacinhos são afinal a nossa rocha.

O único conforto que tenho é que tenho um pomo de ouro e sei onde é o jardim…


I like a Sunday morning girl…


Body’s


10 March, 2011 00:17

Lânguidamente deixo os sonhos virem em pezinhos de lã, envolverem-me em candura e transportarem-me até outros mundos…