11 March, 2011 14:54

O desespero é, a maior parte das vezes, mau conselheiro. Leva-nos a tomar atitudes de arrependimento posteriores, de forma imediata ou mais perdida nos confins do tempo. Mas é uma realidade que a pressão exercida é desumana.

Diz-se que não levamos pedras maiores que aquelas que conseguimos carregar e sabemos como a sabedoria popular é pródiga em dogmas que não ousamos colocar em causa. Sísifo não o faria melhor, diria eu…

Olhamos com ternura condescendente para o que nos surge e lançamos mão ao trabalho. "É a vida…" lançamos ao ar numa tentativa de conforto ilusória. Cansamo-nos de esbracejar, respiramos em dificuldade e, ainda assim, continuamos como se o pomo de ouro estivesse ali escondido no jardim das Hespérides quando na realidade os pés vão descalços em caminho surribado e o que procuramos é sobreviver o mais incólume possível.

Guardamos religiosamente os pedacinhos do caminho, porque nos dão o conforto das vitórias, para que nos lembremos do sofrido, porque pode ser preciso ou apenas porque sim, sem nunca pararmos para pensar que mais esses pedacinhos são afinal a nossa rocha.

O único conforto que tenho é que tenho um pomo de ouro e sei onde é o jardim…

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