Lembro-me das viagens de carro em bem mais novo, quando se ficava a admirar as árvores que passavam em corrida pela janela de trás do carro, até ficar enjoado. Lembro-me de colar a testa ao vidro, olhando as guias brancas e como se afastavam ou desapareciam debaixo do carro consoante a curva. Lembro-me de poisar o queixo na palma da mão e deixar correr o tempo com a pressa de chegar. Lembro-me da minha primeira grande viagem nocturna, e desde então fiquei apaixonado por elas, vendo a lua seguir-me por cima de campos de cereais.
Vou coleccionando momentos ao longo do tempo que por mim corre. Agarro-me a eles em tantos outros, não os sobrepondo, mas refrescando a memória dos pormenores que os foram fazendo especiais.
Gosto do meu quarto escuro, vou lá de quando em vez e vou abrindo as minhas gavetas uma a uma, seleccionando os meus momentos, trazer de novo à vida o gosto e o cheiro, como por exemplo da primeira vez que estive sozinho em frente da vastidão de um mar às três da manhã…
Matam-se saudades assim, trazendo num momento um outro que nos faz sorrir, nem que seja por um nanossegundo…
Um momento…
Um simples e pequeno momento pode dar significado a uma vida inteira…
16 de Agosto, 2011 at 17:25
Revejo-me neste teu texto…
Um beijo enorme…
Alexandra
17 de Agosto, 2011 at 07:52
Bem-haja Alexandra, pela visita e pelo comentário.
Um beijo.