Author Archives: Francisco

Ciclos

Já o escrevi (algures por aqui ou num outro local qualquer, não me recordo bem…) que tudo na vida tem um ciclo. Nasce, cresce, matura-se e acaba por morrer ou, pelo menos, desfalecer. Reedito-o porque este ciclo chega ao fim. Depois de cerca de um milhar de escritos (só neste espaço são cerca de 460 em mais de 2 anos e meio…) fui-me esgotando.

Tenho no entanto uma dívida de gratidão a este e aos outros espaços onde fui escrevendo. Dívida pelas coisas que aprendi, pelo poder de me fazer recordar, pelas pessoas que conheci, que vieram, foram e ficaram. Com ele senti amor, frustração, paixão e amizade, sorri e chorei, corri e fiquei sossegadinho no meu canto. Essa dívida jamais a pagarei, mas fica expressa a minha gratidão.

Não me sinto com capacidade nem vontade de voltar aqui e escrever. Sinto-me incapaz de transmitir coisas com um sentido. Foi tempo que passou e que foi, e será sempre, tão importante. Deixei partes de mim por aqui, em cada post, em cada resposta a um comentário, que fiz questão de não deixar nenhum sem uma resposta.

O que está escrito, escrito está. Não sairá daqui, pelo menos para já. Ficará para quem o quiser ler. Eu vou dar uma  volta, que este ciclo fechou para mim.

A todas as pessoas que leram e comentaram, a todas as que me falaram e tanto me mostraram,  o meu mais sincero e honesto obrigado. Sem vocês nada disto tinha feito qualquer sentido.

Um abraço e um beijo. Com ambas as mãos, como me ensinaram que um beijo devia ser.

Até sempre.


Um dia…

Um dia, não diferente de todos os outros, rasga-se o peito na vontade de surgir um mundo novo, reconfigurado num upgrade sincero e necessário. A vontade fica mais forte do que o caminho fácil que se percorre quase sem se pensar no passo seguinte, tão certo que é. Um dia, talvez, as unhas se cravem na pele e libertem o pouco notado que existe dentro de cada um de nós, aquele que muito poucos se dão ao trabalho de ir em busca.

Esse dia, se e quando chegue, será celebrado em sorrisos sem vergonha, danças exultaras e dessincronizadas, ao som de uma qualquer música que venha de dentro e afogue todo um passado, para que se varra em definitivo de uma memória que não se quer mais.

Um dia, talvez…


Ouvido por aí…

“As lágrimas têm um carácter sagrado.
Não são um sinal de fraqueza mas de poder.
São mensageiras da dor avassaladora e do amor inefável!”

Washington Irving


Bang Bang…


s/t


Um momento…

Lembro-me das viagens de carro em bem mais novo, quando se ficava a admirar as árvores que passavam em corrida pela janela de trás do carro, até ficar enjoado. Lembro-me de colar a testa ao vidro, olhando as guias brancas e como se afastavam ou desapareciam debaixo do carro consoante a curva. Lembro-me de poisar o queixo na palma da mão e deixar correr o tempo com a pressa de chegar. Lembro-me da minha primeira grande viagem nocturna, e desde então fiquei apaixonado por elas, vendo a lua seguir-me por cima de campos de cereais.

Vou coleccionando momentos ao longo do tempo que por mim corre. Agarro-me a eles em tantos outros, não os sobrepondo, mas refrescando a memória dos pormenores que os foram fazendo especiais.

Gosto do meu quarto escuro, vou lá de quando em vez e vou abrindo as minhas gavetas uma a uma, seleccionando os meus momentos, trazer de novo à vida o gosto e o cheiro, como por exemplo da primeira vez que estive sozinho em frente da vastidão de um mar às três da manhã…

Matam-se saudades assim, trazendo num momento um outro que nos faz sorrir, nem que seja por um nanossegundo…

Um momento…

Um simples e pequeno momento pode dar significado a uma vida inteira…


Saber…

…antes de acontecer trás consigo um travo ardente como quem bebe um whisky de um trago.

Queima até ao estômago…