Tag Archives: Cartas

Cartas…

Incontáveis as vezes que sinto as tuas mãos por debaixo dos meus braços e me levantas no ar. Aquele pó que falavas que me faria voar existe mesmo e sabes espalhá-lo de forma gloriosa e bela. Vejo-te e levito de forma incontornável. Fazes-me sentir importante, vivo, querido. As palavras na tua boca ganham dimensão, os ecos ganham contornos de realidade, os gestos são dignos de serem desenhados a carvão em papel alvo e expostos ao mundo. Possuis dentro de ti algo tão valioso, tão grande, tão perfeito e, ao mesmo tempo, tão teu. Abunda de ti, corre-te na veias sangue nobre. Tens mil sabores, mil cores, mil sabores. Mereces tanto quanto és, mereces o melhor porque fazes sobressair o melhor. És doce, terna e anjo, fada, princesa e Mulher.

É isso…

É essa a palavra maior que te descreve. És MULHER, com as letras bem grandes, visiveis nos confins do infinito, escritas a dourado e neons brilhantes.

E no entanto não deixas de ser menina. A menina que sorri de encantar, que dança ao som da música que apenas ouves dentro de ti, que diz “Viva!!! Viva!!!” quando está contente ao som das palmas que bates em euforia.

És menina MULHER, és MULHER menina.

Eu gosto-te assim.

Anúncios

Gosto muito de ti…

Sabes, gosto mesmo muito de ti. Ao longo de todo este tempo, que apesar de pouco parecem anos e anos, conheci-te a gostei de ti desde o primeiro instante. Hoje sei-te de olhos fechados. Já vi a cor do teu sorriso e já conheci o sabor das tuas lágrimas. Já te senti a pele e já te li o olhar. Amei-te mesmo numa distância forçada e prometi-te a minha eterna presença. Estarei sempre, mesmo que a minha voz não me faça ouvir ou as minhas letras não te cheguem. Estou contigo, sempre, porque

Gosto muito de ti.

Aprendi que devemos dizer sempre o que nos vai na alma. Liberta-nos. Faço por isso, seja expor o que sinto na urgência de te ter, seja no simples lembrar que há saudade. Escrevi-te tanto, algumas das coisas que melhor me sairam das pontas dos dedos. Pintei-te também, tive a graça de te imortalizar a generosidade em fotogramas coloridos e nem tanto. Provei tantos sabores novos, tantas cores me ofuscaram, tanto sol me entrou pela alma dentro. E não me canso de repetir,

Gosto muito de ti.

Reclamámos que o tempo e o espaço não é este, que não é agora, que talvez nunca seja. Aguentámos provações provocadas, momentos de delícia adiados até Deus sabe quando, cedemos às urgências dos agoras, fomos e somos felizes. Digo que vale a pena ter vivido por cada um desses instantes deliciosamente apreciados porque,

Gosto muito de ti.

E gostarei sempre e escreverei sempre e lembrarei sempre e amarei sempre. Mesmo quando vá reler e re-ouvir tanto e tanto que partilhámos, trazendo dolorosa saudade, mesmo que os olhos me vão trair num momento menos próprio, estarei sempre contigo porque,

Gosto muito de ti.

Percorri contigo caminhos, não te deixei sozinha em momentos mais sós, não me deixaste a mim em momentos meus. Agradeço a honra, a partilha, o tanto que me vais dando, que me enche a alma de júbilo e as faces de sorriso quase envergonhado e embevecido. Olho-os e enches-me de orgulho e cada uma dessas coisas faz-me dizer com mais força ainda.

Gosto muito de ti.

…e sei que gostarei e estarei sempre.


Palavras

Não há palavras suficientes para ti.

Nunca houve.

Com o passar do tempo e com cada novo momento contigo, as poucas que se aproximam escasseiam ainda mais. Não chega dizer que és bonita, não chega chamar-te de fada, universo, arte, musa, doce, amor ou qualquer outra. Pura e simplesmente não chega. Há tanto em ti, há tesouros imensos, alguns que creio nunca viram a luz do dia. E se alguma arte tenho, é de palavras conhecidas e gastas.

Queria conseguir inventar novas palavras, grandiosas e eloquentes e nada me sai. Sai-me o teu nome, que digo de coração nas mãos e alma ao alto. Gostava de te conseguir dizer palavras bonitas e doces na proporção do que és e saem-me pequenas sílabas que comparadas pouco significam.

Adoro-te meu anjo.


Tesouros

A tua luz ilumina, aquece, afasta toda a negrura que abraça os Homens.

Fonte saciante de ternura, de vida. Brota paz dos teus lábios, calmaria de cada um dos teus poros.

Paleta de mil cores, corpo de mil sabores, sinfonia reconfortante, estrela cadente de desejos, deixas rasto de amor.

 Sorte de quem te tenha pois possui o maior dos tesouros.


Tu

Sabes, és mais que um sonho, és mais que um desejo, és mais que palavras escritas.

Sabes, fazes-me perder-me nas letras, nas frases. Não há construção frásica que resista ou paleta de cores completa. Nada há neste conhecido universo com que se consiga transpor e explicar o que és. Tudo fica insignificante, tudo fica aquém da tua definição. Poderia dizer que és bela, interessante, significativa, doce, eterna, encantadora, deslumbrante e juntar ainda mais 40.000 palavras de um dicionário de adjectivos felizes e ainda assim a justiça não seria feita.

A melhor definição de ti és tu, assim, completa.

É conhecer-te, deixar-me absorver por cada ínfimo de ti, cada gota do teu ser. É ouvir-te, ler-te, pintar-te, fotografar-te. É ser melhor contigo, é ser eu sem mais nada. É deixar que o mundo acabe, se feche e impluda. É deixar acabar o ar e a água e a luz e mesmo assim não lhe sentir a falta, porque és tudo isso e muito mais. És areia da praia, és água de mar, és luz prata de um lua encantadora, és estrela e cometa, és mundo e universo. És vácuo que me faz expirar, és oxigénio que me alimenta o ser.

És arte.

Não. És muito mais que arte.

És tu.


Sem palavras

Abraça-me e aperta-me enquanto deslizo pelo teu peito como gata.

Aperto-te entre os meus braços fortes, faço-te encostar o ouvido ao meu peito. Sente. Ouve. Repara como a máquina da vida bate contigo. Coloca a tua mão no peito, sente-o vibrar na ponta dos teus dedos, desenha-o na minha pele. Abraço-te como se não pudesse haver amanhã. Tenho sede de ti. Tenho sede da tua boca que me arrepia o corpo. Tenho saudade de sentir o teu perfume adormecer-me na noite que começa, de o sentir subir pelo peito com o calor, qual chaminé doce que canaliza todo o teu inebriante aroma até mim.

Giro sobre ti, deixo as minhas costas coladas, sinto-te húmido e quente e viril, cheiras a terra, sinto-te sorrir, quando me seguras as ancas e me forças a procurar-te e eu não vou. Mas, desço e devoro-te, num demorado, intenso, muito molhado jogo de língua roçando o céu da minha boca, também este com as duas mãos…. Como um beijo deve ser…

Sinto-te descer. Sinto-te devorar. Olho-te, sorrio-te. Puxo-te a mim, mais, sempre mais. Quero a tua boca na minha. Quero sentir o gosto da tua saliva. Senti-la escorrer para a minha boca. Quero sentir a tua língua que se enlaça na minha. Quero despir-te devagar, ouvindo o doce roçar das roupas pela tua pele, ouvir bater no chão. Quero ajoelhar-me a teus pés e descalçar-te. Morder por cima do pano que te cobre na intimidade. Sentir o calor que emana de dentro de ti. Quero-te de pé parar beber da tua fonte. Quero perscrutar o teu interior, sentir a sua maciez, a sua candura na ponta da minha língua. Sentir a tua humidade que me enche a boca de sabor forte e doce. Engolir-te no que é mais teu.

Não pares… Faz-me cegar.

Deito-te docemente no teu vale de lençóis. Cubro-te o corpo com o meu. Em pequenos e doces toques de lábios desço da tua boca, pelo teu peito, que rodeio em doce cadência. Sugo-o com os lábios fechados. Desço pela barriga, paro no umbigo, enquanto as minhas mãos te afastam as coxas. Desço até chegar ao teu ponto íntimo. Sinto-lhe o aroma. Sentes a minha respiração compassada. Sobem as mãos que delicadamente apertam o peito, o rolam entre os dedos. A língua que toca, em toque pequenos, a humidade que desponta de ti. Rodeio com a ponta de língua, em toque de cócegas. Sinto-te arquear, abrir. Penetro-te com a língua. Quero chegar ao fundo de ti. Lento, faço-me até onde não posso mais. Sinto-te na minha boca. É espesso, é delicioso. “Quero mais…” digo-te. E ofereces-te mais ainda. Sinto-te as mãos que no meu cabelo me puxam. Sinto que te invado por completo. Salivo-te em cada pedaço de pele. Sinto que me apertas com as coxas. Quero o meu prémio. Peço-te. Quero a tua explosão. Exijo-te. Quero sentir os teus espasmos electrizantes e sensuais nos meus lábio. Agarro-te as mãos, entrelaço-te os dedos. Quero. Agora…

Shhhhh…..fica.
Beija-me deixa-me saber a mim.

Sinto-te os espasmos. Subo até aos teus. Beijo-te. Toma-te. Gosto de te beijar assim, com o teu sabor. Vem. Deita-te no meu ombro. Aconchega-te a mim. Enlaça-me. Gosto de sentir o teu peito no meu.


Pudesse eu…

Soubesse eu ter o dom das palavras para te dizer o que penso. Mas não o tenho, sei dizê-lo apenas de uma maneira.

Fazes-me povoar a imaginação de viciosas ideias de deleites inconfessáveis. Fazes-me desejar trincar-te a carne como se trinca a alma. Ah pudesse eu ter letras suficientes para construir as mais belas palavras, e brincar de puzzle e construir frases e textos e capítulos e livros com tudo o que vejo. Mas não tenho. Tenho apenas uma forma de o dizer, de o escrever.

Soubesse eu pegar em pincéis e telas, e soubesse eu desenhar e colorir quadros de sonhos que sonhei. Pudesse eu murmurar em tons pastel a paz que me dás e a fervorosa calma que me aconchegas. Mas não sei. Sei apenas desenhar numa qualquer cor num qualquer papel as letras que repito.

Pudesse eu fechar-te os olhos e fazer-te sonhar, imaginar, alcançar tudo aquilo que eu próprio sonho, nem que fosse apenas dar-te a mais pequena gota do grande oceano em que me fazes navegar.

Pudesse eu conseguir fazer sair as palavras destes rudes lábios e fazer-tas chegar ao teu coração. Mas não consigo…

Pudesse eu fazer-te sentir…

…tudo.

Mas não posso, não consigo…

Apenas sei escrever, és bela…