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s/t

Caminhos cruzados, nas brumas do efémero, em folhas que caem gastas e descoloridas de uma qualquer árvore que estoicamente se mantém de raízes enfiadas na terra negra.

Caminho meu, com mais uma esquina a dobrar.

Não me falhem os pés e que a coragem não me falte…

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Veias

Alimentas-me.

Sacias-me.

Sabes-me bem.

Refrescas-me.

Sim…

És tu que me corres nas veias.


Aberturas

A janela abriu-se …

Queria ver-te, nem que fosse num vislumbre.

O teu aroma esvoaçou no ar e vi os teus cabelos brincarem ao vento em desassossego, como em inquetação me ficou o coração.

“Anda, debruça-te…”


Antigos…

Imagino-te por ali, ao alcance da objectiva, pelo meio onde ficas.

Enquadro-te e faz-se o click.

Eu vejo-te.

Verei sempre mesmo quando formos antigos…


Pegadas

pégadas

Estou marcado.

Estou marcado por ti.

Deixas sempre um sulco na alma e no corpo em cada oportunidade que tenho de te ver. Levito naquele instante em que o mundo pura e simplesmente desaparece. 

Obrigado meu anjo.


Fotografia em palavras

A mão sobe e espalma-se na testa, puxa o cabelo que lhe cai à fronte para trás, fazendo brisa cheia de perfume que fica a pairar no ar à sua volta. Dá vontade de fechar os olhos e simplesmente ficar na quietude do espaço absorvendo cada partícula daquele aroma tão próprio. Invariavelmente, aquele gesto é acompanhado do fechar de olhos que se diria quase mecânico e, quando a mão volta à sua posição natural e a cabeça pende novamente para a frente, depois de ter acompanhado gentilmente o movimento de palma alisador, os olhos de novo se rasgam.

Às vezes olhos cansados, fatigados de um dia demasiado longo ou de um planger de uma qualquer conjuntura melancólica, outras, bastas, repletos de sorrisos ternos, amores sentidos, felicidades transbordantes. Expressivos como eloquentes são as mãos, o corpo, que brande em uníssono, harmonia universal, amolda-se no sesso como gata enovelando-se, pronta a ser arquétipo de pintura, molde de escultura, viva e excitante.

Vontade do perpétuo, do perene mirar de tão bela obra por Deus criada e soprada pela brisa da existência. Não afadiga a quimera, pelo contrário, dá magnitude, alcança-se o etéreo, sente-se o sangue que flui e a alma que resplendece.

Assim, em fotograma de escritas, te enxergo eu num momento.


Olhares

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Tens luz,

tens dourados que nos fazem voar,

tens formas que apenas aos anjos estão guardadas.