Histórias
Apetece-me começar com um “Era uma vez…” em jeito de história fabulosa, daquelas com que se faz sonhar as crianças pequeninas, de castelos e princesas, dragões e cavaleiros, da fada boa que tem a varinha de condão. A minha história começa na primeira letra que te li.
História que me embala, que me faz levitar até ao sétimo céu, em que cada novo dia traz uma nova página colorida, como se a mão de uma criança pegasse num lápis de cera e desenha-se sem se importar com o sair do risco, em traços grossos e generosos.
E o “Era uma vez…” transforma-se num “hoje”, num sonho de um “amanhã”. Era uma vez uma fada que com o tempo se revelou uma bela mulher, mas os poderes de fazer voar permaneceram. Tem mãos de mulher com toque de ouro e um sorriso que lança pó de encantar.
E eu gosto tanto dessa minha fada, dessa princesa que do alto do seu torreão me acena com lenços de linho níveo.
Prece
Que o sono te seja doce e os sonhos leves. Que os anjos te velem e te iluminem. Que Deus te cubra com o seu manto e que mal não te chegue.
Beijo-te as faces e a testa como sinal de carinho e respeito.
Que o meu amor te seja terno e retemperador. Que a minha oferenda te traga boa sorte e alegria. E com todas as minhas forças e fé Lhe peço a tua felicidade.
Luz
Quando o dia abre e o primeiro pensamento vai para ti, o reviver do momento em que o sol sobe acima da linha do horizonte é valorizado de uma forma que não tem comparação. Respira-se de novo na ânsia do momento em que o ar que entra seja o mesmo que sai de ti, em que o tempo e o espaço se conjuguem num só, em que quaisquer universos paralelos finalmente se juntem e de novo os meus braços te aconcheguem. Sinto-me feliz assim, quando sei que te posso proteger por inteiro, de corpo e alma, que nem pau nem pedra ou palavra te ferirá.
És imensa, luz brilhante que vai doirando cada momento único que fazes viver, que tornas cada momento inesquecível e irrepetível, que fazes este pequeno ser agigantar-se nos sentimentos. Gosto do sorriso que nasce nas tuas faces quando me olhas, da ternura que transmites num toque, da candura que colocas em cada palavra. E além de tudo isso, como se mais fosse necessário, a tua figura esbelta compõe em sintonia um universo excepcional, tornando-te primeira entre iguais.
A minha vida seria mais pobre sem ti. Enriqueces-me com o que de mais bonito há, o sentir o que sinto.
Vale a pena viver só pelo facto de existires.
As Montanhas de Vento – IV
- Afinal pediste-me desculpa de quê? – Perguntou ela de sorriso rasgado.
Ainda de braços de volta dela, com o nariz enfiado por entre o cabelo sedoso e perfumado, Carlos mantinha-se em silêncio. Era algo que o apaixonava, aquele momento quase em suspenso em que apenas lhe sentia o corpo vibrante de encontro ao dele, sentindo que a aceleração do corpo voltava à sua normalidade. O peito dela voltava ao ritmo regular de respiração e sentia isso no seu próprio corpo. Distanciou-se apenas o suficiente para a olhar nos olhos e sorriu.
- Porque tinha urgência de ti. Porque tinha necessidade de sentir o teu gosto e nem te pedi licença.
Os olhos dela brilharam e de novo os braços o enlaçaram pelo pescoço deixando a cabeça encostar no ombro que lhe era oferecido.
-Tinha saudades tuas, deste teu abraço.
Aquelas palavras combinadas com o fragrância que emanava daquele corpo tão junto de si fizeram-no fechar os olhos e quase levantar voo.
Ela pegou-lhe na mão e levou-o a sentar-se no sofá, sentando-se ela depois de pernas encolhidas e de cabeça poisada na palma da mão.
- Ainda bem que vieste.
- Queria muito vir. Tinha imensas saudades desses olhos doces com que me enches o peito de gosto.
Aproximou-se novamente dos lábios dela e sentiu de novo aquele toque acetinado e a língua que lhe deixava um gosto doce na boca, quase como uma tangerina sumarenta que faz escorrer pelos cantos da boca quando se trinca os gomos com os lábios. Deixava-se ir sempre naquela sensação salomónica, milhares de sensações todas diferentes que ao mesmo tempo fechavam todos os sentidos a qualquer factor externo que o apartasse daquela ligação quase divina. Quando deixava os dedos escorrerem-lhe pela carne até lhe agarrarem as costas em apertos compassados e a fazia arquear de encontro a si, ao mesmo tempo do suspiro que por força se soltava, sentia-se no auge de ser querido. Aquela sensação valia por cada minuto de espera tenebrosa do momento tão raro.
I want…
I wanna take you on a roller coaster
I wanna tell you that I’m feeling closer
I wanna push it right over the line
The line that you draw as you draw me near
Reflexões
Tarde fechada, de recolhimento máximo. Tarde daquelas de ficar sentado no chão de cara enfiada entre joelhos e os braços envoltos nas pernas. Tarde de olhar para dentro, de olhar para o mais profundo de mim. Tarde de analisar estrégias de vida, alinhar o que em tão pouco tempo ficou desregulado. Tarde de ficar surdo e mudo ao mundo, de ficar no silêncio tão próprio, tão só.
Tarde reflexiva do que sou, de onde estou, de para onde vou…
Tarde de “e ses…”, de porquês sem resposta, de gritos surdos, de força desperdiçada no agarrar aquilo que mais tenho, que sou eu. Este eu que não faz sentido, este eu que quase não existe, este eu que está cansado e faminto.
Tarde dura.
Tarde de uma conclusão.
Ainda só está no ínicio…
Momentos
Há momentos em que o mundo nos dá uma claustrofobia que não imaginamos conseguir suportar…
…
Vem, dança comigo. Solta-te nos meus braços e roda comigo neste salão improvisado de folhas e ar, de vento e sonhos. Vem, dança comigo. Deixa o som entranhar-se no nosso corpo e alma, deixas a balada fazer-nos voar pelos tempos infinitos.
Sabes, gosto de ti. Sabes, és importante. Sabes, és única. Sabes, és tu e fazes parte de mim.